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28 de Dezembro de 2008

Azeitona


Fica ainda para os mais curiosos:
Azeitona no Fotograma (RTP)
Azeitona no Cartaz (SIC)

27 de Dezembro de 2008

Sumário Pragmática

Aula 1 24 – Set – 2008

Semiótica – estudo dos signos;

Sintaxe – relações dos signos entre si;

Pragmática – manuseamento / uso dos signos;

Bibliografia:

Peirce – “A semiótica: a lógica da Comunicação”, (p. 49 a 63);

Morris – “Os princípios básicos da Pragmática”;

A. Fidalgo - “Manual de Semiótica”, (parte da pragmática);

Cometti – “Filosofia sem privilégios”;

Peirce – “Como tornar as nossas ideias claras”;

“O Homem que confundiu a mulher com um chapéu”;

Filme:

“O milagre de Ann Suliven”

Aula 2 1 – Out – 2008

“Como tornar as nossas ideias claras” – Peirce

Peirce – quais os efeitos (relações) =» Não se faz pela intensidade de observação, mas pela engenharia – aspectos políticos;

· Utilizamos correctamente uma expressão quando conhecemos o seu contexto. É preciso ter em conta as relações em que se insere;

Inferência = forma de raciocínio

Dedução: Passagem do geral para o particular.

Ex: Estudas na UBI! Então vives na Covilhã.

Indução: Do particular para o geral

Abdução: método de formação de novas hipóteses explicativas. Peirce associa a abdução ao instinto. Juízos perceptivos são casos, ainda que extremos, de inferências abdutivas

O Pragmatismo, segundo Peirce, é sobretudo um método lógico de clarificação das ideias. É de natureza lógica, está relacionada com os contextos.

Peirce põe em causa as noções cartesianas de clareza e distinção. Para Descartes, clareza significa a capacidade de reconhecer uma ideia em qualquer circunstância que ela ocorra e nunca confundir com nenhuma outra.

O Pragmatismo Como Lógica da Abdução

· A prova de que os efeitos práticos de um conceito constituem a soma total do conceito apresenta-se, segundo Peirce, através do pragmatismo como a lógica da abdução;

· A máxima pragmatista constitui o critério de admissibilidade das hipóteses explicativas. Por isso é que a questão do pragmatismo se identifica com a questão da abdução

TPC:

Ver:

a) Engenheira do pensamento;

b) Máxima pragmatista;

c) “Como tornar as nossas ideias claras”;

d) Manual de Semiótica – parte da pragmática;

Aula 3 8 – Out – 2008

Descartes/Cartesiano

Compreender1

Peirce/ Pragmatista

1- Tornar as ideias claras

Pragmática[1] – em termos semióticos; estuda o uso dos signos, i.e., o contexto dos signos.

Modernidade – método cartesiano de recurso à consciência;

- a responsabilidade última está na consciência de cada um. A idade moderna é a descoberta da consciência.

Ideia Clara e Distinta – aquela que é tão evidente que salta logo à vista, que não suscita dúvidas. (ex: “Penso, logo existo”)

Método Cartesiano – método de elucidação, análise.

Método Pragmatista – “engenharia do pensamento” – método abdutivo (de hipótese)

Peirce considerava que o método cartesiano possuía demasiada psicologia, porque o facto de uma pessoa estar convicta de algo não quer dizer que seja claro (critica de Peirce a Descartes)

Método Cartesiano – é muito solipsista (egoísta)

· Para Descartes, uma ideia é verdadeira quando é clara e distinta, ou seja, as ideias teriam de ser não somente claras ao princípio, como não poderiam suscitar qualquer obscuridades relacionadas com elas (serem distintas).

o Ideia clara e distinta: aquela que é tão evidente que não suscita dúvidas – “Penso logo existo”

A Máxima Pragmatista: Segundo Peirce, a crença é:

1) Algo de que nos damos conta

2) Sossega a irritação do pensamento

3) Implica a determinação na nossa natureza de uma regra de acção (hábito)

Função global do pensamento consiste em produzir hábitos de acção.

Aquilo que o hábito é depende do “quando” e do “como” ele nos leva a agir. A nossa ideia de qualquer coisa é a nossa ideia dos seus efeitos sensíveis, ou seja, a nossa concepção dos seus efeitos constitui o conjunto da nossa concepção do objecto.

Peirce considera o método cartesiano um método muito solipsista. Para se ter uma ideia clara é preciso ter uma visão lata, abrir o horizonte sobre o assunto. Chegamos às ideias claras através da contextualização e do nível comunitário: pensamos nas consequências e no que vai repercutir nos outros.

Aula 4 15 – Out – 2008

Ludwing Wittgenstein nasceu em Viena, 1889.

Tractatus Logico-Philosophicus (1ª Obra) – a linguagem é uma cópia da realidade, pois reflecte da mesma forma a realidade. Os limites da linguagem são os limites do meu mundo (Primeiro Wittgenstein)

“Teoria do Espelho” (Tractatus):

Realidade Matematização da linguagem Linguagem

R1 Pr1

R2 Pr2

Segundo (2º) Wittgenstein (Investigação Filosóficas)

(pag 171 – 191)

Wittgenstein na sua primeira obra, “tractus lógico philosophicus”, vê a linguagem como uma cópia da realidade, pois reflete a realidade da mesma forma que fala. “Os limites da linguagem são os limites do meu mundo”.

O seu pensamento sobre a linguagem incide sobretudo, na “Teoria do Espelho”: a linguagem espelha a realidade.

O pensamento de Wittgenstein evoluiu entre o “Tractatus” e “Investigações Filosóficas”.

Em “Investigações Filosóficas” oferece um novo ponto de vista: o significado das palavras não depende daquilo a que se referem, mas de como são usadas. A linguagem é um tipo de jogo, um conjunto de peças ou “equipamentos” (palavras) que são usadas de acordo com um conjunto de regras (convenções linguísticas).

Wittgenstein nesta obra considera que a linguagem deve ser utilizável e funcional e como tal, a relação entre nome e coisa não é suficiente.

Há uma infinidade de “Jogos de linguagem” e portanto, não é possível unificar a linguagem a partir de uma única estrutura lógica e formal, pois esta actividade a que chamamos linguagem ocorre em vários contextos de acção e faz parte de diferentes formas de vida, havendo, como tal, tantas linguagens quanto a formas de vida.

Aula 5 22 – Out – 2008

Diferentes Teorias da Significação:

1 – Teoria Referencial ou Nomenclativa: as palavras seriam o nome das coisas – nomes/objectos;

2 – Teoria Ideacionista ou Mentalista: as palavras são representações de ideias (significante/significado) – palavras/conceitos;

3 – Teoria Behaviorista/Comportamental (Bloomsfield)

4 – Teoria Pragmática (Peirce , 2º Wittgenstein, Austin): o significado está no uso.

Aula 6 29 – Out – 2008

1º Capítulo – “Pragmática da Comunicação”, Paul Watzlawick

Aula 7 5 – Nov – 2008

Fazer síntese do cap. 1 e 2 do livro “Pragmática da Comunicação”

Aula 8 19 – Nov – 2008

Como tornar as nossas ideias claras?

· Peirce criticava sobretudo o intuicionismo[2] da Filosofia cartesiana;

o Para Descartes a sua a sua ideia clara[3] é “penso, logo existo”

Crítica de Peirce:

Nunca sou só “eu e os meus botões”, sou sempre “eu com os outros, em comunidade” – crítica à visão solipsista.

A ideia de clareza em Descartes seria:

1) Uma capacidade sobre-humana; Sentimento subjectivo sem qualquer

2) Familiaridade com a ideia em causa valor lógico.

Para Peirce, estar convicto de “algo” não quer dizer que “algo” seja claro. Deste modo, a posição de Peirce em relação ao conceito de “clareza” em Descartes é uma posição anti – intuicionista

Peirce começa por pôr em causa as noções cartesianas de clareza e distinção:

Descartes Peirce

- Para saber o que é uma coisa temos de o fazer de forma clara e distinta

- Quais os efeitos de um signo

- Ideias claras

- não uma análise do que é mas sim da sua utilidade

- Substância/Natureza[4]

- como tornar as nossas ideias claras. Como se usa aspectos práticos

- pessoa que sabe utilizar bem a palavra

“Engenharia do Pensamento”:

a) As ideias servem para alguma coisa;

b) Verificar se uma ideia funciona melhor que as outras;

Peirce introduz então a engenharia do pensamento moderno. Peirce apresenta o pensamento como um sistema de ideias cuja única função é a produção da crença. O pensamento é uma sucessão ordenada de ideias. A crença produzida pelo pensamento, implica “a determinação na nossa natureza de uma regra de acção (hábito)”. Com a crença acaba a hesitação de como agirmos ou procedermos.

“As diferentes crenças distinguem-se pelos diferentes modos de acção a que dão origem”.

Máxima Pragmatista: A nossa ideia do objecto é a ideia dos efeitos sensíveis que concebemos que o objecto tem ou pode ter;

As nossas ideias podem ser claríssimas sem ser verdadeiras. Isto acontece quando temos grande certeza numa coisa que mais tarde se vem a revelar ser falsa;

Wittgenstein (Investigação Filosóficas)

Jogos[5] de Linguagem[6], estão dependentes do contexto

· A Base da linguagem não é monolítica (com uma única visão), tal como era abordada no Tractatus[7]. A linguagem tem muitos usos.

Aula 9 26 – Nov – 2008

Teorias dos Actos de Fala – Austin[8]

Austin considera os signos linguísticos como acções de determinada força com aplicações diversas.

Com as palavras faz-se a distinção de actos de fala em:

a) Constatativos – todas as afirmações que verificam, apuram, constatam algo (verdadeiro ou falso);

b) Performativos – não constatam nada, realizam algo ou então são parte de uma acção (resultam ou não);

Um acto de fala resulta quando entre o emissor e o ouvinte se estabelece uma relação. Austin enumera 6 regras para o sucesso dos performativos:

1) Existência de uma convenção aceite pela comunidade;

2) As pessoas e as circunstâncias têm de ser apropriadas à realização da acção;

3) A acção tem de ser correctamente levada a cabo pelos participantes;

4) A acção tem de ser cumprida completamente;

5) Sinceridade: tem de haver intenção futura de cumprir o acto de fala;

6) Comportamento futuro tem de estar de acordo com o acto de fala;

Incumprimento de uma das 6 regras: Infelicidade

Incumprimento de uma das 4 primeiras regras: Falha

Incumprimento das últimas 2 regras: Abuso

Aula 10 3 – Dez – 2008

A Apresentação do Eu na Vida de Todos os Dias – Goffman



[1] Uso/manuseamento dos signos. Para definir pragmática é necessário definir o que estuda a semiótica. O termo foi criado por Peirce. A pragmática está relacionada com os contextos: uma determinada operação pode estar correcta num determinado contexto, mas num outro diferente não.

[2] Na filosofia da matemática, intuicionismo, ou neo-intuicionismo (em oposição ao pré-intuicionismo) é uma abordagem à matemática de acordo com a actividade mental construtiva dos humanos.

Qualquer objecto matemático é considerado um produto da construção de uma mente e, portanto, a existência de um objecto é equivalente à possibilidade de sua construção. Isto contrasta com a abordagem clássica, que afirma que a existência de uma entidade pode ser provada através da refutação da sua não-existência. Para os intuicionistas, isto é inválido; a refutação da não existência não significa que é possível achar uma prova construtiva da existência. Como tal, intuicionismo é uma variedade de construtivismo matemático, mas não a única.

[3] A questão do pensamento é cumulativa:

- O nosso conhecimento vai aumentando do centro para a periferia;

- Esta visão sofre de solipsismo

[4] Ex: Uma mesa é um objecto onde podemos escrever. Vemos qual a natureza da mesa.

[5] Regras dentro de um determinado contexto

[6] Forma como uma pessoa se relaciona

[7] O Tractatus Logico-Philosophicus é o único livro publicado em vida pelo filósofo austríaco Ludwig Wittgenstein. Foi escrito enquanto ele era um soldado, durante a Primeira Guerra Mundial, em 1918. Publicado em alemão em 1921 como Logisch-Philosophische Abhandlung, atualmente é amplamente considerado uma das mais importantes obras de filosofia do século XX.

[8] Teoria dos actos de fala – signos linguísticos como acções de determinada força com aplicações diversas;

Estudo das condições gerais do enunciado

Actos de fala – são acções intencionais

Constantivos – afirmações que apuram, verificam, constatam algo

Performativos – não descrevem, não relatam, não constatam nada, não são verdadeiros nem falsos, eles fazem algo ou então são parte de uma acção.

Regras para o sucesso dos performativos (Austin):

Existência de uma convenção aceite pela comunidade

Falha as pessoas e as circunstancias tem de ser apropriadas à realização de acção

Acção tem de ser correctamente levada a cabo pelos participantes

Acção tem de ser cumprida completamente

Abuso 5/6 sinceridade: tem de haver intenção futura de cumprir o acto de fala

Comportamento futuro tem de estar de acordo com o acto de fala

13 de Julho de 2008

Multimédia em RESET 2008

O Museu de Lanifícios recebe, o RESET 2008, a IV Mostra de Trabalhos dos alunos finalistas de Design Multimédia.

A inauguração do RESET 2008 realizou-se no passado dia 9, na Real Fábrica Veiga do Museu de Lanifícios. Esta foi a IV Mostra de Trabalhos feito pelos alunos finalistas de Design Multimédia, que correspondem aos trabalhos realizados durante a licenciatura e que estarão expostos até dia 13 deste mês.

A preparação da Mostra de Trabalhos esteve inteiramente a cargo dos alunos onde “não havia censura e eram livres de fazerem o que quisessem” revelou o Professor Afonso Borges, docente da UBI. No final, “os alunos superaram largamente as expectativas”, confessa.

Para os alunos de Design Multimédia “este é um momento nostálgico, em que revelamos o nosso último trabalho” explica Adriano Batista, aluno finalista. A licenciatura em Bolonha “não dá as bases suficientes desejáveis, por o melhor é fazer o Mestrado”, lamenta.

A inauguração contou com a presença de alunos e professores da Universidade da Beira Interior. Na Mostra estavam expostos trabalhos das mais diversas áreas de Design Multimédia, tais como ilustrações de ensaio de linguagem criativa, animações, projectos interactivos comerciais, projectos interactivos livres e performances, infografias, e ainda outros trabalhos individuais.

Cerca das 23h00 começaram as mais diversas Performances Multimédia, trabalhos individuais que os alunos de Multimédia expuseram ao público presente. No final da noite, os alunos mostraram-se satisfeitos com os seus resultados.

Sofia Simões

Há Sobredotados Na Covilhã

A arte de ser o mais forte

«(…) crianças com características de sobredotação»

Paulo, nome fictício, tem 7 anos e vive na Covilhã! Gosta de ver o “National Geografic”, o “Canal História”, ouvir Susana Félix, Xutos & Pontapés, Tony Carreira, Linkin Park e Carl Cox.

Como qualquer outra criança, também gosta de ver desenhos animados e jogar PlayStation.

A chegada à “Cidade Neve”, depois da separação dos pais, aconteceu de uma forma muito calma, mesmo para uma criança de 4 anos, como conta Madalena (também este nome fictício), sua mãe. As idas à psicóloga apenas serviram para reforçar o que estava à vista de todos: a integração de Paulo tinha sido bastante fácil, e este adaptou-se muito bem à sua nova vida.

Aos 6 anos no infantário, uma agressividade pouco normal numa criança mais perspicaz que as demais foi um dos motivos que levou Madalena a desconfiar que algo não estava bem. Pensando tratar-se de uma reacção tardia à separação dos pais acompanhou Paulo novamente ao apoio psicológico.

Mas foi só quando entrou no ensino primário, e depois do seu comportamento para com os colegas tornar-se ainda mais violento, que a jovem criança mereceu uma maior atenção. A psicóloga do Agrupamento de Escolas Pêro da Covilhã sugeriu que Paulo fosse acompanhado por uma outra psicóloga com mais experiências em casos deste tipo.

A Dra. Armanda Vasconcelos ficou encarregue de acompanhar o pequeno aluno. Com a sugestão e o apoio da professora primária de Paulo, foi-lhe realizada uma avaliação, ao mesmo tempo que uma outra era feita para determinar se Paulo tinha, ou não, características de sobredotação. «Não se fala de crianças sobredotadas até aos 12 anos. Falamos, até lá, de crianças com características de sobredotação», explica a profissional de psicologia. «Uma nova avaliação será feita quando Paulo atingir esta idade».

«O Paulo começou a falar muito cedo, e nunca falou “à bebé”. Os primeiros passos foram dados antes dos 10meses de idade…», recorda Madalena. «Nunca pensei que fosse uma criança sobredotada. Pensei que fosse da educação que lhe dei. Os pais descartam muito do seu trabalho para as escolas, eu sempre tentei acompanhar o Paulo, no seu dia-a-dia, o melhor que pude e que sabia», frisa.

O facto de ter mais capacidades que os seus colegas levou a uma maior desmotivação na escola, e os problemas foram aumentando, pois na sua jovem concepção do mundo, pensava que «se ele era o mais inteligente, tudo deveria ser como ele queria. Os colegas teriam que se submeter a ele. E quando tal não acontecia, o Paulo partia para a violência», conta a sua mãe.

«As crianças com capacidades de sobredotação quando não são bem auxiliadas podem enfrentar duras situações de frustração, desmotivação e não é raro problemas psicológicos e/ou fisiológicos», desenvolve a psicóloga.

Com o acompanhamento psicológico e o processo de avaliação quase concluído, Paulo está melhor integrado. E as notas de final de ano esperam-se muito boas.

O sistema de ensino e os sobredotados

«São casos raros, e nós não os temos»

Se a avaliação comportamental escolar foi sugerida pela própria professora primária, e se a psicóloga do Agrupamento teve a oportunidade de consultar Paulo, será de estranhar que o Dr. Jorge Antunes, Presidente do Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas Pêro da Covilhã, não tenha conhecimento de nenhum caso de sobredotação no seu Agrupamento?

“Paulo” tem hoje 7 anos, anda na 1ª Classe, mas lê como uma criança do 4º ano.

No entendimento deste responsável «há que diferenciar alunos com grandes capacidades de alunos sobredotados. E quando estamos perante um aluno com grandes capacidades deve-se dar-lhe “alimento” mas sem o “engordar”. Contudo, na educação, não há receitas precisas». Em relação, portanto, há existência de crianças sobredotadas no Agrupamento do qual este professor é responsável a resposta é peremptória: «Os casos de sobredotação são casos raros, e nós não os temos».

Madalena é muito crítica em relação a esta situação: «Ele já sabem que o meu filho tem características de uma criança sobredotada, mas fazem de conta que não». Já a Dra. Armanda Vasconcelos compreende que «se não se considera até aos 12 anos que uma pessoa seja sobredotada, é normal que se afirme que estas crianças são apenas mais inteligentes que os outros. No entanto, isto é também uma situação político-burocrática».

As escolas têm a possibilidade de fazer com que os alunos do 1º Ciclo façam os quatro anos apenas em três, «a legislação não nos permite mais», como explica Jorge Antunes. Em relação ao apoio que, em caso de haver uma criança sobredotada no agrupamento, seria dado a esta, o Presidente daquele Conselho Executivo aclara que «a tutela não reconhece a necessidade de existir uma psicóloga clínica nas escolas. Havendo somente uma de apoio vocacional».

A falta de apoio a uma criança com características de sobredotação é ainda mais grave do que a falta desse mesmo apoio a uma criança sem estas características. A dificuldade de integração destas crianças na sociedade é muito complicado, «é muito fácil que uma destes jovens venham a sofrer de bullying», quem o diz é a Dra. Armanda, que assegura ainda que «a legislação actual deixou de contemplar as crianças sobredotadas, mas o entendimento actual ainda se prende com a legislação anterior».

No caso específico de Paulo a passagem do primeiro para o terceiro ano, como é usual nestas situações, não pôde ocorrer. O facto de ir mudar de cidade, e de escola, foi um entrave a este processo, como explicitou a psicóloga: «Vamos tentar que o Paulo se adapte aos seus novos colegas e à sua nova escola, até porque para as crianças como ele os desafios são vistos com grande motivação. Como a escola é no litoral e perto de uma grande cidade pode ser que seja um ponto a seu favor. A sua nova professora não vai ter conhecimento do que se passa com ele, numa tentativa de integrá-lo melhor. Se assim não fosse as expectativas sobre as suas capacidades seriam enormes, o que não era vantajoso para ele. Assim, só se a professora der conta de algo é que a mãe irá ter que abrir o jogo».

Paulo irá estudar para uma escola pública perto de Lisboa. Esta decisão foi tomada entre os pais e a psicóloga. Madalena compreende que «os padrões do Paulo não se encaixam nos padrões de uma escola privada, que por norma são muito elitistas.»

Por outro lado, Paulo ainda tem a maturidade de uma criança de 7 anos, e colocá-lo junto a outras crianças mais velhas 2anos não seria o mais sensato. Para a sua mãe «é importante que ele passe por todas as fases de crescimento. Não quero que ele ande a saltar momentos que possam ser importantes para ele».

As escolas ainda são hoje um entrave à educação destas crianças e, segundo Armanda Vasconcelos, «quando estas não dão respostas os pais procuram a ANEIS».

ANEIS – Associação Nacional para o Estudo e Intervenção na Sobredotação

«A sede da ANEIS poderá num futuro próximo estruturar-se na Covilhã»

«A A.N.E.I.S. é uma associação portuguesa, sem fins lucrativos, fundada em Dezembro de 1998, que se destina ao estudo e à intervenção na área da sobredotação. Embora sediada em Braga, a A.N.E.I.S. tem um âmbito nacional de actuação». É assim que a organização se define no seu sítio oficial na internet. A sua directora, Ema P. Oliveira, é docente no Departamento de Psicologia e Educação da Universidade da Beira Interior (UBI).

Devido a esta situação fala-se numa possível mudança da sede. A sede da ANEIS, sediada em Braga, poderá num futuro próximo estruturar-se na Covilhã.

Mas enquanto tal não acontece, é a Delegação da Associação na Covilhã que está a sofrer uma reestruturação. A Dra. Armanda Vasconcelos é a coordenadora desta delegação. «Esta reestruturação surge porque a delegação da Covilhã estava um pouco parada, não por falta de casos mas sobretudo porque não tínhamos uma estrutura física que nos permitisse trabalhar a 100%».

O papel desta associação é acompanhar as crianças, e os pais destas, para que possam ser melhor acompanhadas, mas também terem um papel activo junto às instâncias competentes de modo a poderem dar pareceres dentro da área da sobredotação. «A ANEIS, relativamente a esta nova legislação que não abrange os sobredotados, já escreveu uma carta ao Ministério da Educação. No entanto, a resposta não poderia ter sido mais vaga», relata a coordenadora da delegação da Covilhã.

Quais são as características de um sobredotado?

Em geral um sobredotado é uma pessoa com sede de conhecimento, intolerante com, o que considera ser, a estupidez; é intuitivo e de grande poder de observação, tem uma grande capacidade de abstracção, grande versatilidade, invulgar capacidade de liderança, é crítico, entusiástico e sensível e aprende com facilidade os temas do seu agrado.

29 de Maio de 2008

Resumo de Teoria política

“Matar é o objectivo daqueles que rodeiam para se livrarem, assim, do medo.”

“Enquanto for vivo, o homem não se livrará do medo.”

Joseph Consad

Flávio Josepo “A Guerra dos Judeus”

· Um ser humano deseja conservar a sua vida. No limite mata para isso.

Teoria Ordem (Elias Coneti)

· “Fechar porta” (ordem de morte);

· Quando se cumpre uma ordem, e as ordens vêm sempre de cima, contrariado cria-se o aguilhão (rancor). Como se se livram dele? Dar novas ordens a outras pessoas. Daí a ordem ser imparável;

· A ordem é tão forte que o aguilhão fica na memória, para que mais tarde numa situação semelhante surja e nos possamos livrar da ordem e do aguilhão consequentemente;

· Nada da vida escapa ao poder da ordem. Obedece-se porque se não morre-se;

· O carrasco mata para não ser morto – situação limite.

O que distingue a política da religião, economia, gestão e todas as áreas da actividade do Homem? A figura do inimigo (oposição); sem esta figura não haveria diálogo político!

Numa situação extrema qualquer Homem é inimigo do outro e pode matá-lo. A única igualdade entre os Homens é essa mesma:

- Todos os Homens são potencialmente inimigos de todos os Homens.

Sobreviver é perigoso. Dá uma sensação falsa de imortalidade, de invulnerabilidade. Os outros morrem para ele sobreviver. O que ganha a vida, não há nada que manche o milagre de ter sobrevivido.

Na economia política da Filosofia Moderna o medo é fundamental. É um distrito natural que assiste qualquer Homem.

2 Princípios antropológicos da teoria política de Thomas Hobbes

- Antropologia do Homem: ser de natureza em que é dominado por paixões inatas, vaidade, paixão de alma; amor pelas próprias capacidades naturais.

O Homem de Thomas Hobbes é um ser que não é social, não devido a uma tendência natural, mas para satisfazer interesses, vaidades e necessidades; no fundo, por egoísmo!

O mais importante para o Homem é salvar a vida como um lobo em constante luta. Assim perante o medo de morrer o Homem tende (inclina-se) para a Paz.

Como o Homem é um ser racional, pode suspender o direito (estado) natural e criar algo. De todas as paixões, a que menos (?) leva o Homem a respeitar a lei é o medo.

A conservação da vida é o princípio do Homem. O Homem é egoísta e cobarde. A política só se concretiza usando a cobardia e o egoísmo do Homem.

- Sem violência não há estado. Sem medo não há estado.

O Homem quer sobreviver porque tem medo da morte. O Homem tem medo da morte para procurar sobreviver.

Igualdade Natural (Thomas Hobbes) – “São iguais naturalmente os que podem azer coisas uns com os outros. Os Homens são então por Natureza (expressão literal e simbólica) iguais.”

Abandonar a corrida (depois da partida em que são todos iguais) é morrer. O objectivo da corrida é ser o 1º, ser ultrapassado é miséria.

Maquiavel – “O Príncipe”

É melhor ser amado ou temido pelos súbditos? Na impossibilidade de conseguir as duas condições, deve-se preferir pela segunda pois os Homens temem menos ofender alguém que faça o amor, do que alguém que se faça temer. É que o amor vai e vem, mas o medo fica sempre.

Joseph Conrod – sobre o medo:

- Enquanto os Homens se agarram à vida, o medo está em todo o lado. Até na morte ele existe.

-//-

O medo não é exclusivo dos regimes tirânicos. Até no mais perfeito dos regimes, o medo é fundamento que reina.

16-10-2007

Dada a lei natural, Hobbes defende a regra prescreve que o homem mantenha a paz de medo a salvaguardar a sua vida – é uma razão instrumental (meio para atingir o fim) e não um imperativo categórico.

As leis naturais(1) obrigam apenas no foro interno(2), e não externo(3)!

1 – Não faças ao outros…

2 - Impõe desejo de que sejam cumpridas (podem ser violadas).

3 – Podem não ser concretizadas.

Mas o Estado Natureza, que garantia tenho eu se for prudente e caso os outros não observem e sigam a minha prudência? Não há força maior que garanta isso; ainda não há pacto (o passo para a sociedade cível)

Seguir os impulsos da razão para que irresistivelmente todos façam o mesmo (prudente) e vivam em paz.

O Estado é um produto da vontade e do engenho humano para suprir (completar) as deficiências da natureza. É uma coisa artificial.

Condições do facto (Pactum Societatis e Pactum Subjectium)

- Acordo de muitos;

- Acordo não temporário;

- Acordo que não basta que reúna pessoas com um fim comum.

A finalidade do pacto é renovar as causas de insegurança. Logo, tem de haver um poder comum; cada um abdica do seu próprio poder.

Factores:

a) Económicos: todos concordam em atribuir os seus bens a uma identidade;

b) Força física: a mesma situação

Com isto vemos que estamos é perante um estado de sujeição que Hobbes chamará de Estado de União.

Ver capítulo XVII do Leviatã, pág. 146:

- As condições para a segurança implicam a sujeição a uma só vontade.

“Cedo e transfiro o direito natural de ma governar a mim mesmo, a este homem ou assembleia com a natureza de que qualquer outro o fará” – Implicam-se todos os homens na formação de um estado.

Paradoxo: o soberano está simultaneamente dentro e fora do facto. Dentro porque se submete, fora porque representa os actos de todos os outros.

“A mútua relação entre a protecção e a obediência”

O Poder comum compreende - o poder económico – dominium

- o poder coercitivo – imperium

Assim, é Hobbes que sita Job, não há ser na terra que se lhe compare – o poder do leviatã é um poder absoluto, é assim que o poder do estado tem de ser.

Porquê Mortal God? Porquê a qualquer momento pode ser desfeito e voltar-se ao estado de natureza. Uma guerra civil seria capaz disso.

As várias definições de Estado ao longo da obra de Hobbes!

É obcecado com a segurança(1):

· 1640: Guerra civil inglesa entre protestantes e católicos. As discórdias entre o poder temporal e espiritual(2) comprometiam a unidade, esta podia ser dissolvida

1) A política de hoje é de segurança.

2) Por isso é que o Leviatão segura em cada mão o símbolo civil e o símbolo religioso.

A preocupação de Hobbes não é o excesso de poder concentrado numa entidade mas a falta de poder que compromete a segurança. Para Hobbes, Liberdade é Segurança!

3Características do poder que resulta do facto de união(*):

- Irrevogável

- Absoluto Correspondência com… (*)

- Indivisível

*) – por indivíduos entre si (multidão) e não do povo com um soberano

Para Hobbes, e sobretudo devido ao contexto histórico, seria impensável conceber uma divisão de poderes.

Definição de poder na pág. 149 do Leviatã (Cap. XVIII)

Argumentos a favor da irrevogabilidade:

- Dificuldades: visto não ser um povo mas indistintamente uma multidão, a rescisão do contrato só pode ser feita por todos – não por maioria mas sim por unanimidade. Mas não basta o consenso dos comerciados; é preciso também a do soberano. Há uma dupla obrigação: em face dos outros cidadãos e perante o soberano.

“O príncipe está absolvido da lei”

Hobbes – o poder do soberano é o maior poder entre os Homens, escreve-o sem limitações exteriores. É que quem é soberano é-o, e quem é súbdito também. Não há misturas.

Argumentos contra o absolutismo

- A questão do povo/multidão;

- A transferência de direitos é sempre parcial (existem mesmo alguns inaliáveis) não quase sempre total como diz Hobbes (Cap. XXI)

-//-

Leis da Natureza: prudência, enunciado cristão, a sobrevivência, a segurança, a paz, o medo da morte violenta.

Sou parvo se sou prudente quando não tenho a garantia de que mais alguém o seja!

O fim do estado – A SEGURANÇA: estado em que se verificam as leis naturais sem medo de sermos prejudicados. Estados em que as leis tornam-se efectivamente positivas – execução coerciva das leis naturais.

O soberano não ordena o que é justo, mas é justo aquilo que ordena. (pág.219 – Cap. XXVI) – “a lei da natureza e a lei civil contém-se reciprocamente a têm a mesma extensão”

O soberano é-o porque está acima das leis naturais que lhe dá valor coercivo. Está dentro e fora simultaneamente.

A lei civil é decalcada da lei natural. Mas a hermeneutica interpretante do soberano é tota. Não há a teoria do abuso de poder em Hobbes porque o podder para o ser tem de ser abusivo, ilimitado. Se o poder fosse limitado não haveria soberania.

ü Reitera-se, falta uma teoria sobre o abuso de poder(1) (está aqui explicado e no contexto histórico).

ü A escassez (de poder) é que é o problema, porque o Estado pode-se dissolver e aí perde-se a segurança – a natureza!

1) Se não há limites, nunca poderá haver um abuso desses limites!

Cap. XXI

24-10-2007

Benjamin Constant – “A liberdade dos antigos comparada à liberdade dos modernos”

As liberdades distinguem-se conforme os sistemas políticos.

Segundo o francês, antigamente era a guerra, o impulso. Agora seria o comércio que substituiria a guerra, o cálculo. A passagem da antiguidade para a modernidade.

Conceito de Liberdade

Sempre que o Homem fica exposto à guerra, à violência física, a vida afectiva do Homem oscila entre o terror e o êxtase. Não há meio-termo.

Imperativo de Segurança – marca a contemporaneidade.

Hobbes: quanto mais liberdade menos segurança e vice-versa

Actualmente, ambos os conceitos imiscuem-se. A liberdade está cada vez mais determinada pela segurança, pela imunidade

Locke: Liberdade é ter direito ao meu corpo são e salvo

Acepção antiga de liberdade: potência que cresce/expande. É activa, não reactiva. Era o conceito do homem livre que dava sentido ao escravo;

Acepção moderna: incapacidade de pensar e liberdade positivamente que não está disponível. A liberdade fica cativa com o sujeito sobre si mesmo, é livre quando não há nenhum acto entre si e a concretização de uma vontade.

A liberdade deixa de ser um privilegio e passa a direito/segurança. Na modernidade, a liberdade é a capacidade de cada um se defender dos abusos da sociedade.

Hobbes: Ruptura epistemológica com o conceito de liberdade. Passa cada vez mais a ser confundida com a segurança!

Locke, 100anos depois, radicaliza esta versão securitária da liberdade moderna fazendo o tríptico: liberdade, propriedade, vida. Renunciar à liberdade é comprometer a vida. Para ele, é um direito subjectivo e dever biológico natural – conservar a sua vida!

A Liberdade é reduzida a um instrumento de conservação da vida(1) – radicalização da vida:

a) Eu sou livre proprietário do meu corpo

1) Redimensionamento semântico que converte a liberdade num coincidente natural com segurança. A liberdade como imperativo categórico de segurança. Eu sou livre na medida em que a minha vida está segura!

Motequieu – o espírito das leis

· A liberdade consiste na opinião que as pessoas têm de segurança (visto a volubilidade do conceito)

Panóptico – Jeremy Benta inspiração do “vigiar e punir” de Foucault

Onde não há coerção (coacção), não há segurança.

Ver sem ser visto!

O poder de tornar visível, deve ele próprio permanecer invisível.

O poder dos média.

As sociedades disciplinares com o encarceramento sucederam às sociedades de abertura com a flexibilidade vigilante – tudo pode ser visto

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7-11-2007

Estado(1) segundo Hobbes:

a) Uma multidão de Homens unidos como uma pessoa de uma só vontade para a paz, etc (E. of L.);

b) Uma única pessoa, não uma multidão, que resulta de acordos (De cibe);

c) Uma pessoa, de uma vontade, um poder comum para assegurar a paz (Cap. XVII)

1) Definição jurídica

A soberania é absoluta, irrevogável e indivisível!

Só pode ser atribuída a uma única pessoa (individual ou colectiva)

Para Rousseau no Contrato Social, o problema de Hobbes era o da unidade do poder.

Aversão à doutrina que provocaram a dissolução da unidade de Estado - Hobbes

Razões:

a) Divisão interna dos poderes;

b) Divisão entre poder temporal e espiritual;

Já antes tinha havido a doutrina do governo misto em que o poder de fazer leis é atribuído a uma assembleia democrática, o poder de julgar a outra e o de executar a outra.

- isto é muito contestado por Hobbes que raciocina sempre na forma: “ou isto ou aquilo”

No entanto, o importante é que sejam três, ou apenas uma assembleia, hoje como unidade, uma só vontade.

Ou o poder efectivo pertence aos que dispõem das finanças ou então dissolve-se – pensamento dilemático.

Poderes do soberano:

- Espada da justiça;

- Espada da guerra;

No soberano estão reunidos os três poderes. O legislativo recai na espada do soberano, etc. Os três são tão interligados que não podem deixar de pertencer todos à mesma pessoa – não podem existir formalmente separados.

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Relação entre o poder do Estado (temporal) e da Igreja (espiritual), que também devem estar reunidos na mesma pessoa. Quando os cidadãos têm de obedecer a preceitos das duas esferas, há confusão. Assim, se houver união e/ou coincidência tudo fica eficaz até porque a influência religiosa pode inclusive ser maior que a temporal. (Cap. XLIII)

- isto ganha alcance visto que as convulsões (agitações) da época tinha motivo religioso.

Havia obediência dupla: aos ministros da Igreja e aos do Estado. Assim, tem de haver união. “Eu sou da Religião que o meu príncipe é.”

As leis naturais não limitam o poder do soberano, pois apenas permanecem as que o soberano entender. (Cap. XIV do De Cile)

- as leis naturais apenas se reduzem em obedecer ao poder do soberano

Que define o que é espiritual e temporal cabe à razão e portanto ao poder temporal que absorve o primeiro e inclusive assegura a convocação da comunidade de fiéis. Até o Estado é quem decide quando acontecem os milagres.

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Todas as teorias positivas do Estado se dividem por convidarem o Homem, bom ou mau por natureza.

A fábula do Lobo e do Cordeiro é política – Estado(1) de Natureza (que Espinoza apelidou)

1) Os indivíduos servem-se das garras para saciar os seus instintos

Na ideia de Schmitt, o político tem de ser distinguido – qual a sua distinção última?

E a encontrar-se, ela é auto-suficiente da ética, económica e justiça

É a capacidade de diferenciação entre o amigo e o inimigo que constitui o critério ético do político (como belo/feio no estético, bom/mau no ético);

E é autónomo porque não se fundamenta em nenhuma das outras diferenciações para ter valor. Além disso, esta concepção não deve ser misturada com as outras. Ela subsiste por si sem se recorrer a outras distinções. Por exemplo, o inimigo político pode ser moralmente bom, esteticamente bonito e economicamente vantajoso.

Objectivo – estabelecer critério de diferenciar o político

Mas o inimigo não deve ser diabolizado? Talvez, mas mesmo quando recorremos a outras esferas para classificar o inimigo, o critério de Schmitt não perde o valor.

Para a oposição, amigo/inimigo ser validado, não precisa de se apoiar em nenhuma das outras.

Inimigo é o conjunto de Homens, combatente. É sempre um sentido político.

Hortis – a hostilidade é pública – inimigo público com ele temos uma guerra pública.

Trata-se do conceito político de inimizade

14-11-2007

Tudo se pode tornar político na medida que tudo pode ser agregado em termos de amigos e inimigos

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Distinção entre política(1) e o político(2) (que o francês Freud mais tarde desenvolveu)

1) Varia com o tempo e os locais

2) Domínio/essência que permanece imutável

Outras distinções de Schmitt entre o Estado e o Político

Webber diz que todo o estado está fundado na violência

Schmitt diz que o conceito de estado pressupõe o político ainda que este não se confine ao primeiro. O político coincide com a forma estado.

Estado – a situação que define a regra face aos vários estados privados.

Uma actividade é política quando se situa no limite do confronto das oposições. Há político onde houver antagonismo (agregar os amigos e desagregar, opondo-se, os inimigos)

A distinção entre amigo e inimigo (políticos) não deriva dos outros critérios (moral, económico, justiça, etc)

A única questão é saber como é que a configuração deste par se apresenta e realiza:

- Quem é quem? Quem é o inimigo(*) e o amigo em termos políticos. Não deve existir esta dúvida.

*) o outro, o estrangeiro, aquele cuja essência é diferente da minha, o que pode divergir e criar conflito – questão de autoridade

Quem perder esta capacidade de distinção, perde a existência política.

Para Schmitt a democracia implica que se o que é igual deve ser tratado de forma igual, o que é diferente deve ser tratado de forma diferente.

A igualdade pura entre Homens não é democracia, é mero liberalismo.

Qualquer oposição concreta é tanto mais política quanto mais se aproximar da distinção entre amigo e inimigo(1 e 2).

1) Conjunto de Homens que são combatentes a outro conjunto hostis e não inimigos.

2) Não deve ser visto de forma simbólica ou metafórica, nem de forma privada, é sempre existencial, prático e concreto e por outro lado público.

Hostis(3) e não inimigos(4)

3) O inimigo público

4) Inimigo privado. Apenas na esfera privada poderia fazer sentido amar o inimigo.

Perspectiva Hegliana o inimigo é distinguido por um critério ético

As sociedades sempre se organizaram e estruturaram em função dos antagonismos (incompatibilidade) públicos dos Homens.

A distinção do político implica a possibilidade de um conflito eminente a guerra decorre de inimizades a negação ontológica de outro ser.

Mas a guerra não é o fim, conteúdo ou objectivo do político. É o seu pressuposto e derradeira possibilidade.

Nietche – o Homem não pode viver sem o ferrete (estigma) do perigo.

A guerra é uma hibernação do qual o Homem sai mais forte para o bem e para o mal.

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Num globo terrestre totalmente pacificado não haveria política porque mesmo havendo antagonismo de outras ordens não haveria inimigo/político.

Mesmo uma oposição pacífica contra a guerra seria política. (Clausewitz)

- Será a guerra a continuação do político por outros meios ou vice-versa?

O conceito de humanidade exclui o conceito de político. E então quem define o que é um crime contra a humanidade?

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Leo Strauss(5) What is liberal education?

5) Alemão que fugiu ao Hitler para os EUA

A resposta é que a educação liberal pretende formar uma aristocracia (elite) nas democracias de massa.

Liberalismo ou liberdade antiga e moderna

O denominador comum é o conceito de liberdade que se articula de forma correlacional com o conceito de igualdade.

Oposição entre liberdade racional e tolerância universal

A educação liberal, orientada para a leitura e escrito, tem por objectivos a cultivação dos indivíduos, para a excelência e grandeza humana. Não era catecista.

É na capacidade de ler e escrever que assenta o direito de voto e a democracia moderna.

O que é? Não é um regime no qual todos os homens são salvos ou virtuosos,

É uma cultura de massas que não é apropriada à educação liberal!

A educação liberal e a responsabilidade(1) não são a mesma coisa.

1) Neologismo – um substituto moderno para consciência, virtude, justiça, sabedoria, excelência.

Mas Strauss diz que um homem pode ser responsável sem ser virtuoso.

A educação liberal é o esforço indispensável para formar uma aristocracia no seio de uma sociedade democrática da mesma.

Liberal - antigamente, este estado advinha da oposição perante a escravatura (os que não tinham tempo para si próprios)! Liberal era o que tinha tempo para si e para o ócio (lazer) e o que fazia uso da riqueza e dar da sua riqueza, por isso constituir um acto nobre.

Liberdade – alguém ser digno de honra, a excelência humana. Este homem vive na cidade e dedica o seu tempo à reflexão da política (os aristocratas e os gentleman).

A democracia é um regime no qual a maioria governa mas apenas uma minoria é educada. Assim, é a liberdade o critério e não a virtude (que apenas viria da educação). Assim, os antigos terão rejeitado a democracia

John Stuart Mill formular a relação entre o governo representativo e a educação liberal.

A sua tendência vai no sentido de uma mediocridade colectiva que põe o poder em classes cada vez mais a baixo do nível de instrução da sociedade.

Pressuposto da filosofia moderna os Homens são educáveis por natureza e igualmente capacitados por excelência.

Mas isto não era mais do que um dogma universal iluminista. É que nem todos os Homens têm as mesmas capacidades (mesmo as biológicas) e uns serão mais “educáveis” do que outros.

Locke, Jeperson – não há diferenças biológicas que justifiquem “castas”. Todos são capazes até porque há as virtudes do método.

“A perseguição e a arte de escrever” – Leo Strauss

- debate-se a oposição se o conhecimento é acessível a todos (os enciclopedistas) ou se é privado aos privilegiados

A questão é que, de forma mais realista, nem os métodos e as condições científicas podem pôr todos os Homens ao mesmo nível de instrução!

Na concepção corrente, só há liberdade se for absoluto.

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Dogma – a igualdade de oportunidades (Todos diferentes, todos iguais!).

Hobbes – compara a vida do Homem a uma corrida.

A desigualdade só se desenvolveria depois da partida – teorias políticas modernas

Mas esta não existirá já antes da partida?!

O que é a tolerância? Quando levado ao extremo é a prevenção da doutrina de igualdade natural entre Homens.

A tolerância abre a porta do relativismo(1) – é aliás o conceito multi-culturalismo (Jonh Locke)

1) Já não há critérios – é tudo mau e bom ao mesmo tempo.

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21-11-2007

Leo Strauss – What is political philosophy?

A filosofia política clássica (Platão e Aristóteles) é determinada pela dimensão da sua vida pública/política. A sua natureza era eminentemente prática(2) e não tanto compreensiva, ou seja, filosófica (há conflito entre as duas).

2) A condição da vida política pelo estadista culminando em juízo de valor distinto da actual filosofia política que pretende ser neutro (Max Webber)

A filosofia política moderna pretende autonomizar o político (depender apenas de si próprio) da ética.

A filosofia política clássica utilizava uma linguagem acessível e do quotidiano para reflectir sobre a natureza das coisas políticas. Aqui, a política vê-se numa rectidão que foi inigualável. O pacto de abordagem era o do cidadão, do Homem lúcido, e não de um ponto de vista externo. Esta teoria é tanto:

a) Global e compreensiva;

b) Uma prática, um savoir faire;

Na filosofia antiga política:

A mais arquitectónica das competências políticas é a legislativa. Um filósofo político é um mestre de legisladora, árbitro por excelência da controvérsia da vida política. Papel retórico para a resolução de conflitos: saber qual a melhor constituição que deve regular a sociedade onde vive – a procura da arethê!

E qual a maior diferença entre as duas filosofias?

A filosofia antiga regia-se pela procura da melhor política = constituição = regime e assim o seu objectivo é a prudência, o discernimento, a sabedoria prática do Homem do Estado, a forma como ele conduzia a cidade, que possuía conhecimento e sabedoria especificamente políticas tanto a habilidade (a prática) como a teoria.

Esta filosofia é por excelência transferível, ensinável – A Retórica, a arte da persuasão. O político precisaria de actos, mas sobretudo da palavra para governar. É ensinável porque seria válido para qualquer região.

No entanto o conhecimento político não se confunde na retórica, nem nela se esgota. Cada vez que se reflecte sobre a política ou as controvérsias da cidade/ constituição/ regime, retiram-se daí conclusões que têm um alcance universal. Qual o melhor, é uma questão global de implicação e todas os domínios.

Se toda a filosofia política é pensamento político, nem todo o pensamento político é filosofia política.

A filosofia política situa-se entre opiniões e a teoria/conhecimento. O seu domínio é o dos conceitos – pensar é agir por conceitos!

Importa interrogar o estatuto filosófico da transmissão/comunicabilidade da filosofia política.

A questão prende-se com a arte de escrever esotérica (oculta/secreta) do político.

O político clássico deve dirigir o seu conhecimento, não apenas teoria, não aos inteligentes, mas aos honestos.

A filosofia política clássica não é neutra de valores e pronuncia sobre o justo e o injusto, etc. Estabelece-se uma hierarquia de valores em função da ética. O preceito é ético.

*O problema colocava-se na procura da virtude, da excelência, do valor e não no problema da liberdade moderna.

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Para Strauss há um conflito irresolúvel entre a filosofia e a cidade (política, o mundo, a sociedade).

É a tentativa de substituir a opinião sobre todo pelo conhecimento pelo todo – objectivo da filosofia (política). Mas as opiniões são inerente À sociedade e isto não lhe deve ser retirado – por isso a filosofia é para uma elite.

Assim, os políticos desenvolvem uma forma própria de escrever que lhe permite revelar o que é verdade para uma minoria sem comprometer a adesão incondicional da maioria às opiniões sobre as quais a sociedade assenta.

Diferença entre:

a) Esotérico (estranho/secreto) – o ensino para a elite preparada – treinada, cuidadora e interessada.

b) Exotérico (comum/público) – ensino socialmente útil e acessível a qualquer leitor.

Marcelo Rebelo de Sousa faz bem esta combinação!

A distinção implica os pólos do conhecimento (verdade) racional e da opinião comum.

A filosofia e a ciência são e continuarão inerentes a uma elite.

Para a maioria dos Homens, a filosofia é suspeita e odiosa (ver o destino de Sócrates), para que é que serve? – Strauss

A comunicação da verdade política é indesejável!

Strauss diz que a filosofia ofende a cidade política porque questiona as opiniões sobre as quais se funda. Sócrates é o grau de exemplo. Os filósofos devem ensinar a ser cuidadosos e a respeitar as opiniões o que é totalmente diferente de assumir essas opiniões. Assim desenvolvem o exoterismo do seu discurso para não ser odiosos e o esoterismo racional e da verdade aos seus pares. Falar nos dois regimes – no meio do popular infiltrar a verdade política, aliás é a necessidade eminente a comunicação da verdade ao político.

O valor político de alguém mede-se essencialmente pelo calibre do seu Ensino – TEACHING

Há métodos para conciliar os dois discursos. Por vezes ter-se-ia de ensinar, inclusive, doutrinas contrárias às próprias convicções.

Em que consiste então essa arte de escrever?

É uma fórmula apresentada em 1952: perseguição e a arte de escrever.

A perseguição entre a literatura e de ela obrigar todos os escritores com opiniões ortodoxas (rigorosas) a escrever entre as linhas.

Segundo Strauss, os grandes nomes não foram livres de se expressar livremente. Assim, desenvolveram o discurso edificante, popular, acessível e o discurso de significação diferente dirigida à elite e escrito nas entrelinhas!

O primeiro nível, o óbvio, é falso – é quase pretexto para o segundo;

O segundo nível, o obtuso, é o verdadeiro e o profundo – é neste sentido que reside a mensagem formal e verdade da obra – a leitura/escrita entre as linhas é a mais racional.

Isto é especialmente relevante em altura de censura ou perseguição política.

Há uma pluralidade de escritas e qualquer arte escrita está condicionada às contingências políticas, e históricas, do momento em que esse discurso é enunciado. Não há uma receita hermenêutica universal que descodifique qualquer discurso esotérico.

Ensaio – Como começar a estudar filosofia medieval

É necessário distinguir os ensinamentos exotéricos(1) e esotéricos.

1) Circunscreve-se à camada superficial do texto que todos são capazes de compreender.

A escrita entre as linhas veicula um sentido esotérico. De facto, Strauss considera que o ensino verdadeiro corresponde ao ensino secreto afectado por um valor de raridade. É melhor para a liberdade e segurança do filósofo protegendo as suas ideias dissidentes nos mecanismos esotéricos. A sociedade não está em condições de receber a frio a verdade filosófica e política! Ela é ingrata e mal recebida, e sobretudo em épocas em que há opiniões comuns protegidas e consagradas no seio do senso comum – épocas de censura ou perseguição!

Esta escrita esotérica não é só para proteger o filósofo do fanatismo, da ignorância e da não-tolerância da sociedade, mas também para proteger a própria sociedade e a sua estabilidade social de modo a que a própria filosofia subsista, elita e ocultamente, no seio dessa sociedade.

Dada a sua natureza incómoda.

Antiguidade

A sociedade não reconhecia a filosofia. Tudo o que os filósofos faziam era defender essa filosofia. O ensino exotérico era necessário para proteger a filosofia, era a sua carcaça, o seu aspecto político – a filosofia descia à cidade e tornava-se visível. Era a filosofia política.

Se a filosofia se quer meter na política tem de explicar a utilidade da primeira. Deve saber justificar a filosofia aos cidadãos normais e isso implica justificar a filosofia numa forma de argumentação própria à opinião pública – utilizar a sua linguagem e falar através de opiniões.

Há coisas que não se percebem tais como elas são se não forem percebidas do ponto de vista do cidadão.

Há uma identidade entre a filosofia e esoterismo.

Todo o conhecimento político está envolto em opinião pública e por isso nunca é puro.

A mistura entre conhecimento político e opinião política – isto resulta na filosofia política. A substituição progressiva de segunda esfera pela primeira.

A maioria filosófica de tratar a política é a maneira popular de tratar a filosofia.

A filosofia política protege o filósofo, a sociedade e o próprio cultivo da filosofia livre.

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5-12-2007

A opinião é objecto do povo, o conhecimento é objecto da ciência!

Os dois tipos de ensino teorizado por Leo Strauss – o duplo ensino:

- Exotérico: há uma discriminação dos públicos!

a) a verdade racional (privilégio de uma pequena minoria);

b) a opinião comum;

- Esotérico: ruptura entre a filosofia e a cidade (onde a primeira perde o direito de cidadania)

A cidade recusa a filosofia. A partir da antiguidade, houve dificuldades ma comunicação da verdade filosófica. Não só estas verdades não eram acessíveis a todos como não eram queridos / aceites. Assim, nasce o ensino esotérico(1) da política.

1) Indirecta – no meio da comunicação exotérica (dissimulada)

A restrição da liberdade de expressão obriga a modos de comunicação oblíquos.

A filosofia ofende a cidade e os cidadãos. Sócrates é o exemplo trágico.

Assim, apesar de os filósofos aceitarem as opiniões do senso comum e de por vezes a comunicarem (com o fim último de comunicarem as suas ideias esotericamente), não as aceitavam ou muito menos acreditavam que foram verdade.

Sob um regime de censura ou ortodoxia(2 e 3), a comunicação da verdade é proibida ou limitada(4).

2) Direito, correcto;

3) Opinião;

4) Tem de se ultrapassar isto;

O filósofo quando trata da política na esfera tem de ter muito cuidado.

(ver pág. 24 de “Percussion and the art of writing”)

Trata-se do escrever ou comunicar entre as linhas que Strauss descobre da análise dos grandes filósofos políticos (o teaching).

2 ensinos:

a) O popular e edificante;

b) Aquele que é para gente preparada, veiculo e verdadeiro conhecimento;

Não são iguais em dignidade e interesse; têm significações diferentes e públicos diferentes.

Esta Arte de Escrever não tem, no entanto, uma forma universal. Spinoza escreveu de uma maneira no Tratado Teológico - Político da de Maquiavel no Príncipe.

Não se pode apresentar uma hermenêutica geral com uma gramática comum, pois são as próprias contingências políticas de cada momento a condicionar cada filósofo.

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Exotérico – demonstração, via lógica e racional (a retórica)!

Não é dada à parte, seleccionado para elites. É imiscuído no discurso exotérico!

Há uma discriminação dos públicos e não se pressupõe que todos são iguais e inteligentes. As pessoas são diferentes e temos de comunicar aos dois tipos com dois discursos mas apenas num único acto.

A última frase do Leviatão – um lugar comum que toda a gente sabe.

De acordo com Strauss, a escrita exotérica não só protege o filósofo dos fanatismos da sociedade mas também o protege da sociedade e da ordem política que lhe permite cultivar a filosofia e a liberdade de pensamento. (paradoxo [absurdo])

(pág. 17 e 18 – Idem)

O ensino esotérico era necessário para proteger a filosofia. Era o aspecto político da filosofia. Era a filosofia política. A fama pública de espremer a filosofia. Justificar a filosofia aos não filósofos e à comunidade política usando a sua linguagem.

A mais arquitectónica capacidade política (atill) é a da legislação – fazer boas leis. Tem de comunicar eficazmente esta capacidade aos cidadãos.

O filósofo é o árbitro por excelência das controvérsias políticas. Nesta medida, ele deve procurar um consenso nas cidades sobre qual o melhor regime, a melhor política, etc! A forma de argumentar não se deve dirigir aos filósofos enquanto tais (que não precisam) mas aos cidadãos enquanto tais.

- ensino filosófico ou retórico da política;

- é que o filósofo pensa e conceitos – mistura de opiniões com verdade-racional tendendo para as segundas;

Não há conhecimento político (verdadeiro) público que não esteja envolvido por conhecimento comum e político impuro.

A filosofia política terá sempre como objectivo o tomar da opinião em conhecimento (ainda que seja impossível de que lá saia verdadeiramente).

É disto tudo que nasce a expressão e o conceito de filosofia política. Não designa, não tanto, o assunto e a matéria; não designa, não tanto, o tratamento filosófico da política mas o inverso. Da esfera prática da opinião vai-se para a esfera contemplativa do conhecimento fora da Caverna das Sombras.

Filosofia política:

Aspecto político, prático e popular de algo que é contemplativo – a filosofia!

Webber(1) - a ciência política só descreve, não prescreve. Moralmente neutra e inata de valores.

1) Ética de da convicção; ética da responsabilização; positivismo

Mas na antiguidade, a filosofia política ou teoria política prescrevia (ditava) e culminava em juízo de valores e práticas. Era mesmo um requisito.

A partir de Maquiavel, a política tornou-se autónoma, independente da ética, o que antes não acontecia. Importa o resultado do técnico, os fins, não interessam os meios!

Na antiguidade qualquer regime deveria julgar, a ética estaria como fundo de decisão (Kant, apesar de moderno, defendia o mesmo no “Paz Perpétua”)

Está em questão uma distinção entre a concepção clássica(*) da política (ética) e a concepção moderna (neutra para Webber e autónoma para Maquiavel)

*) Global, tanto é teoria compreensiva, como é capacidade e saber fazer

O melhor regime político para um Estado pode não ser para outro. A democracia pode não ser livre em todos os lugares. Caso do Iraque?

Retórica – defesa pública da propriedade (interesse) privada. Não será?

Strauss inclina as “leis” de Aristóteles num capítulo sobre o Vinho. A moderação deve dominar o discurso da filosofia política. As sociedades tentam sempre atingir o pensamento.

O dogma da filosofia política moderna não é a virtude mas a liberdade. E porquê? Porque o grande problema do filósofo é exercer a liberdade de expressão sem ser controlado ou condicionado.

O filósofo político clássico tem um propósito prático de resolver, questões políticas e indicar o melhor regime e um propósito ainda maior da dupla protecção – da filosofia à sociedade e vice-versa!

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Os autores clássicos escreviam como liam. Os escritores cuidadosos são leitores cuidadosos e vice-versa!

Ibidem – como estudar o tratado político filosófico de Espinoza!

Nem sempre é regra que o filósofo político diga exactamente aquilo que pensa.

Tocqueville – A tirania da opinião pública(1)!

1) Da qual o filósofo deve respeitar as opiniões protegidas contornando-as falando como o povo e comunicando exotericamente (de forma comum).

“Vale mais uma não mão, do que duas no soutien!” E “Putas ao poder que as filhas já lá estão!” (Bento)

A hipocrisia(1) é a homenagem que o vício presta à virtude.

1) Etimologicamente (das origens) é uma pessoa indecisa

Escrúpulo – ter pena, que pondera e mede as consequências

A filosofia antiga por ser prática era ensinável e transmissível. Que estatuto filosófico advém daí? Esta comunicabilidade vem da Arte de Escrever praticada pelo filósofo político. Este ensino não deve ser dirigido a todos os Homens inteligentes mas apenas a todos os Homens honestos.

Tanto o esoterismo como a arte de escrever estão ligadas à desconfiança, ao descrédito da cidade na filosofia.

É já um pressuposto do filósofo político que certas verdades não podem ser expostas em público. Assim não é uma liberdade fundamental a investigação e a sua comunicação. Não era uma verdadeira sociedade liberal.

Qual a necessidade dos 2 ensinos?

O que sucede é que há públicos estúpidos/ignorantes e outros que compreendem. Há limites ou não para a educabilidade do povo? Há duas filosofias:

1) A da acessibilidade dos enciclopedistas e dos iluministas;

2) E a elitista rege-se em relação ao conhecimento, que a operar por conceitos acha-o um privilégio para alguns;

Mas como conhecimento e a opinião se misturam, o filósofo tem de fazer esta conciliação.

As segundas determinam uma ruptura entre a procura da verdade através da opinião e uma procura através da verdade.

Na América, o neo-conservadorismo descende de muitos discípulos de Leo Strauss.

- que tipo de vontade de poder tem o filósofo político? À minha maneira Mitchiana!

A democracia como governo das massas é impossível!

“O esoterismo fundamenta-se na crença de que entre a humanidade há uma minoria iluminada(2) e uma maioria ignorante.”

2) Capazes de experimentar e saborear a verdade em paz, aceitando-a, apreciando-a e procurando-a (diferentemente da maioria da cidade)

O preço do sábio de nunca mentir a si mesmo, é às vezes mentir aos outros todos.

Relacionar que com a Liberal Education forma-se uma elite numa sociedade de massas.

- Porque não dar a cada um o seu devido lugar? Não há uma concepção igualitária.

Esta forma de escrever não se dirige tanto aos sábios, que já não precisam dela, nem aos insensatos, que não as percebem mesmo, mas aos jovens capacitados e com potencialidade. È novamente uma questão de educação.

Pág.35 Ibidem

Qualquer bom livro de filosofia política é dedicado aos jovens, os verdadeiros livros exotéricos – discursos escritos e inscritos no amor da sabedoria transmite aos jovens (parte filosófica)

A educação é a resposta, por excelência, à questão política sempre presente de como reconciliar uma ordem que não seja opressão com reconciliar uma ordem que não seja opressão com uma liberdade que não seja licença (mesmo nas sociedades liberais).

Pág.37

Mas isto será necessário em época liberal de liberdade de expressão?

Não há segredos e tudo deve ser transparente; tudo deve ser público e publicado – dogma das sociedades políticas modernas.

Este texto de Strauss é um texto sobre a censura sofisticada da modernidade, sobre a liberdade de expressão sem limites (ainda que os tenha), sobre a forma de contornar isso.

A arte de escrever é uma IMUNIDADE PÚBLICA; é uma carcaça para quando o filósofo desce à terra.

Há uma luta entre a verdade racional do filósofo e a opinião da cidade.

(Ver origem etimológica da palavra censura!)

Mas a filosofia não existe sem a opinião e vice-versa.

Conclusão: menos educação e mais protecção ou vice-versa? A arte de escrever pressupõe um entrelaçamento das duas. Mas ele acabou por preferir a protecção(1). Houve claro uma intenção educativa.

1) Nota-se uma intuição educativa: de cada vez que quero educar tenho de me proteger e tenho de por uma linguagem da sociedade.

Concepção liberal da educação se reclama do ideal aristocrático antigo em que a protecção era importante.

12-12-2007

Divisão maniqueísta do mundo entre sábios e ignorantes (os vulgos).

Os sábios nunca devem mentir a si mesmo ou aos seus amigos ainda que isso implique mentir a toda a gente(1).

1) Sentido de concepção de educação de Leo Strauss

Carl Shmitt – pensador realista ou hobbesiano!

Thomas Hobbes tinha o sentido da dissimulação esotérica. As suas obras eram como “aberturas”.

Tudo isto advém da maneira de comunicar de diferentes pessoas. Esta arte de ler entre as linhas não reclama técnica mas uma prudência activa, uma paciência, uma arte, uma qualidade moral do leitor.

É mais fácil encriptar uma mensagem do que desencriptá-la.

Desproporção entre o filósofo/escritor e o sensor(2).

2) O que recebe a mensagem da Teoria Política e que lhe cabe avaliá-la como heterodoxa (herege/ateu) e corrupta para a cidade.

Não existiram, apesar de tudo, imprimidores e censores que também conseguem escrever e decifrar o esotérico(3)?

3) Não sei, mas nós escrevemos como lemos.

Não há uma inteligência do mal absoluto e o poder daquele que o persegue para a porta da arte de escrever e do esoterismo filosófico.

A necessária relação com a liberdade e as sociedades repressoras.

Mas esta arte não se tornaria absoluta com o iluminismo da comunicação social universal?

Fuocault, quando se candidatou a professor no collège de France, apresentou como lição inaugural, a obra do discurso” 1970.

Posições muito próximas das Leo Strauss.

Princípios externos da produção de discurso actuariam como princípios de exclusa(4)

4) Prodigiosa maquinaria destinada a excluir.

Mas também há procedimentos internos de rarefacção do discurso de forma a controlar o imprevisto – o autor, o comentário as disciplinas!

Pode sempre acontecer que se diga o verdadeiro numa exterioridade selvagem, mas há sempre um polícia discursiva.

A sujeição e o conteúdo do discurso. A questão da liberdade de expressão.

Esta lição serve para ver o reverso do que o iluminismo proclamou como a liberdade de expressão que efectivamente é muito limitada, nem que seja pelos próprios cerimoniais que presidem ao discurso.

Seria um erro se subestimássemos a “censura democrática” – expressão de Ignécio Ramonet (A tirania da Comunicação”

A palavra crítica é a grande palavra do século XVIII.

À crítica que se pretende racional sucede a mesma que se pretende moral.

“A arte de falar ao senso comum” António Bento

Jonh Locke – no inicio do século XVIII

- A censura nunca desapareceu, existe antes em forma refinada e subtil.

O que é afinal o Liberalismo?

A ideia de que não há alternativas ao liberalismo assenta mais num credo do que num conjunto de argumentos.

Se é verdade que todos s governos assentam na opinião, diz Jones Madison, não é menos verdade que a opinião de um indivíduo depende do conjunto(1) das outras opiniões que com ele coincidem.

1) A razão do Homem como o próprio Homem é tímida e cautelosa quando deixada sozinha e ganha força e proporção quando acompanhada por outras coincidentes.

-//-

Mas voltemos à questão da perseguição!

A perseguição existirá de maneiras distintas e em graus diferentes nas sociedades democráticas onde os direitos democráticos são consagrados.

Na Idade Média havia três formas de resistir ao tirano (o conceito de tiranicídio era o grande tema da altura) segundo João de Sabisbira:

a) É lícito adular o tirano;

b) É lícito enganar o tirano (se se for capaz);

c) É lícito matar o tirano.

A ordem de colocar os verbos é já significativa da forma de resistir ao tirano.

Onde é que hoje vemos o tirano?

A regra democrática e maioritária da maioria, a omnipotência da maioria. Se 50% + 1 assim pensam temos de assim pensar.

Uma sociedade sem crime é uma sociedade tirânica que não discrimina a intenção da acção.

A teoria da civilização de Frend – os instintos agressivos tem uma origem sexual.

Então o caminho da civilização é a interiorização da violência, não só física mas psicológica.

- Sobre John Stuart Mill(1) – On the liberty (1959)

1) Qual é a consequência mais sujeita de perseguição jurídica e moral das opiniões(2)?

Clima de medo e opinião.

O sentimento mais explorado pelos políticos.

2) Anulam-se ou disfarçam-se as opiniões dissidentes. Vivemos numa atmosfera de mentira e má fé. Não somos queimados na inquisição mas podemos perder o emprego. Connosco, as opiniões hereges continuam a arder nos ciclos restritos dos sábios e estudiosos ainda que não elimine as maiorias.

O que mais há são os conformistas de lugares comuns ou oportunistas da verdade que dizem acreditar numa coisa, acreditando noutras.

Mas os mais prejudicados não são os hereges mas os que não o são, cujo desenvolvimento mental não é estimulado e atrofia o seu pensamento.

-//-

O caso Maddie tornou-se num caso de estado

Clarence Mitchell foi chefe da BBC e era de uma variedade de motorização dos media dentro do gabinete do primeiro-ministro. Spin-doctor, feiticeiro dos media. Gestor de crimes comunicacionais. Até um psicólogo do rosto foi tido – chorar agora, depois não. Gestão científica das emoções. Abafar o escândalo.

O segredo é a dor de parto da publicidade! A necessidade de tudo ser tornado publico – o credo da transparência. Mas o reverso disto obriga à intransparência dos media. Por terem de dizer tudo, desenvolvem a lógica do secretismo – consequência das sociedades absolutamente mediatizadas. O poder de tornar visível que cave aos media exercitar, torna-se ele próprio invisível.

Observai o observador que está a ser observado. Quem vigia e quem vigia quem vigia.

Debuze – analisa a transposição das “sociedades disciplinares” (Foucault) – as das instituições tradicionais: Família, igreja, etc. – para as sociedades de controlo.

Segredo vem, etimologicamente, de secreção – há suores que nem os desodorizantes param.

Lua de Hensch

Sumário de Ética

Aula 1 26-Fev-08

Ética não é uma ciência;

Ética trabalha com juízos de valor, não com juízos de facto.

Trabalho de grupo: 4 elementos

- Tema relativo à comunicação;

- Situação real que possa ser discutida em termos éticos.

Ø Trabalho apresentado de 2 pontos de vista opostos:

§ Defender o trabalho real;

§ Demonstrar que o que foi feito não devia ter sido feito em termos éticos;

o Integrar os conteúdos leccionados;

o Abordagem ética;

Ø Criatividade;

Relatório escrito entre 5 a 10 páginas, contendo observações feitas na apresentação (semana seguinte);

Frequência: 15 de Abril

27 de Maio

Aula 2 4-Mar-08

Sentido etimológico:

Ética1 – Ethike2 ­­­

1) Tem uma vertente individual, tem a ver com a forma como o indivíduo responde à normatividade social;

2)

a) êthos: carácter. Remete para a:

i) reflexão (palavra chave da ética)

ii) função pedagógica

b) éthos: costume3, hábito4;

Dupla Função da Ética:

3) A ética prescreve certas normas e princípios. É uma prescrição de forma a analisar se as normas são ou não adequadas. Prescrição de normas e de formas de avaliação. Aceitação da diferença - perspectiva relativista.

4) Descrever! A ética descreve aquilo que são hábitos e costumes de uma determinada época. No entanto não é a única disciplina que realiza este trabalho (história, antropologia, sociologia…);

O aspecto mais importante é a prescrição. Não se trata apenas de definir o bom ou mau, justo ou injusto, mas arranjar critérios para se poder dizer o que é bom ou não, justo ou não.

Carácter pedagógico da Ética:

Aceitar não só por aceitar. A ética remete sempre para o indivíduo.

Moral – mos (mores – plural) conjunto de hábitos e costumes específicos de uma determinada cultura. Conjunto de regras de comportamentos relativos às relações entre os indivíduos.

Ética VS Moral:

Ø A ética surge quando o que está imposto não se encontra completo e tenha algumas “brechas”;

Ø A ética não prescreve só normas e princípios, mas também critérios de avaliação que permitam analisar a justiça dessas mesmas normas e princípios;

Ø Ao carácter reflexivo da ética opõe-se o carácter espontâneo da moral. As normas da moral são aplicadas espontaneamente, assim, a moral está mais ligadas às instâncias tradicionais;

Ø A ética diz, sempre, respeito ao indivíduo – podemos estar a agir moralmente bem, e eticamente errado.

Ø Na pedagogia da ética o indivíduo deve perceber porque deve agir de determinada maneira.

Quando há uma reflexão sobre as normas morais pode acontecer duas coisas:

* Quando uma norma moral não está de acordo com a nossa ética, tentamos reformá-la ou acreditamos que afinal essa norma está correcta;

Primeiro vem a moral só depois a ética, primeiro a espontaneidade e depois vem a reflexão, a moral é a matéria-prima da ética;

A moral vigente é uma coisa, e outra, são as normas de conduta.

2.

Carácter epistemológico, sui generis, do discurso ético: Ética, Ciência e literatura

O discurso ético é sui generis e é esta particularidade especifica que o distingue do discurso cientifico e literário.

Filosofia Teórica VS Filosofia Prática

- Diz respeito ao bem individual;

- Diz respeito ao bem da Pólis (cidade), ao bem de todos. O seu fim único é zelar pelo bem da Pólis;

· Segundo Aristóteles, o estudo das ciências é um discurso demonstrativo:

ü O necessário em termos aristotélicos é aquilo que é, e não pode deixar de ser aquilo que é e não pode ser diferente daquilo que é.

ü Contingente, aquilo que é mas poderia não ser, mas senso como é, poderia ser diferente daquilo que é.

Ciências é do domínio necessário discurso demonstrativo

Ética5 Contingente Discurso “mostrativo”

5) a única coisa que pode fazer é mostrar que há normas umas mais justas do que outras.

- Os factos demonstram-se, os valores não são demonstráveis.

A ética não é solipsista. A ética diz respeito ao individuo e este leva os outros a compartilhar essa mesma perspectiva. Na perspectiva humana o cientista é uma pessoa neutra, é a terceira pessoa.

Não há capacidade de demonstrar os valores, apenas se podem demonstrar. Pode-se mostrar que há contra-valores que não devem ser seguidos.

Tarefas do Eticista:

1 – Explicitar os problemas éticos, definir questões;

2 – Apresentar perspectivas relativamente às questões que foram definidas e argumentar sobre essas mesmas perspectivas;

3 – Deve-se colocar sempre na 1ª pessoa mas colocando e tendo por fim a universalidade.

Discurso Literário VS Ético

A literatura cabe no domínio da estética. Estética e ética são domínios distintos.

Há obras literárias com preocupações éticas; No entanto, mesmo abordando questões ética não se pode considerar uma obra de ética, pois não acrescentam nada de novo à ética. Isso é o que permite distinguir uma literatura de ética e um ensaio sobre ética. Moralmente apenas transportam os problemas éticos para as personagens.

Para se ter um discurso ético tem que ser uma obra original

O eticista tem que ser original e criativo ao nível da argumentação e da criação de conceitos. É no âmbito das situações que são criadas que se vê a originalidade.

O discurso ético está entre o científico e o literário.

Ao discurso literário vai buscar a originalidade, criatividade e subjectividade. Distingue-se deste por ser universalista.

Ao discurso científico vai buscar a preocupação como rigor conceptual e o intuito universalista das perspectivas propostas.

O jogo entre subjectividade e universalidade é o que constitui o carácter “sui generis” do Discurso Ético.

3.

Identificação diferencial da ética face à política a ao Direito

- A ética interessa mostrar que os princípios mais fundamentais do direito (direitos humanos) encontram a sua justificação última na ética.

- O jurista defende uma autonomia do direito numa suposta racionalidade pura do direito.

- A ética procura responder à questão:

“O QUE DEVO FAZER?”

- O direito procura responder à questão “o que posso (legalmente) fazer? / o que me é permitido fazer?”

Há coisas que me são permitidas fazer mas que não o devo fazer!

Direito / Lei positivo:

* A lei positiva é a lei feita pelo Homem de modo a possibilitar uma vida em sociedade. Está subordinada à lei natural, não pode contraria-la sob pena de se tornar em Lei Injusta. Não há obrigação de obedecer a leis injustas. (objecção de consciência)

ü Decorre da vontade do próprio homem;

ü O direito positivo não deve ser contrário ao direito natural;

ü Nem sempre acompanha o direito natural.

Direito Natural:

ü Todos os homens são iguais;

ü Resulta da natureza humana e das relações que os homens estabelecem entre si;

Peter Singer – não defende a igualdade entre todos os seres humanos, mas sim entre pessoas.

Ética VS Direito:

Ø O Discurso Ético é sempre na primeira pessoa (o que devo fazer?), enquanto a perspectiva do Direito é “exterior”, do legislador ou Juiz, sobre a regulação das liberdades individuais;

Ø A Ética debruça-se sobre os principais orientadores das nossas acções tendo por base os princípios da nossa liberdade. O Direito encarrega-se de a delimitar e coordenar para que não entrem em conflito.

Ética VS Política:

Sófacles – autor da tragédia grega – “Antígora”

Aula 3 11-Mar-08

Ética e Política: submissão ou autonomia?

Em Aristóteles temos a política ao serviço da ética. Defende-se a continuidade da ética e da política, mas esta sobrepõe-se à ética, uma vez que a política existia para zelar pela cidade, pelo bem-estar de todos e a ética preocupa-se com o bem do indivíduo, logo o bem de todos está acima do bem do indivíduo.

Na Modernidade, Maquiavel é um exemplo clássico.

Em Carl Schmitt, o objectivo da política é fortalecer os amigos e as noções com quem mantemos relações e enfraquecer os inimigos. Um dos argumentos mais fortes que legitima a separação da moral e da política.

Ø O valor supremo da política é a razão do Estado.

o A política é vista como algo que zela pelos interesses do Estado.

A partir da II Guerra Mundial assistiu-se a uma mudança em relação à perspectiva sobre a ética e a política.

Hoje, mais do que nunca, há uma força para que a política mantenha valores ético-morais, assim como os políticos. Exige-se que os políticos mantenham uma conduta eticamente correcta.

Motivos:

1) As democracias modernas estarem regidas por um conjunto de textos respeitantes a direitos individuais e colectivos, textos esses que assentam em princípios morais.

2) A exposição a que os políticos estão sujeitos, uma vez que estamos numa época em que os cidadãos se habituaram a que os media relatem factos políticos.

Os políticos são obrigados a explicar as suas acções, pois os media estão em constante atenção aos seus movimentos.

No séc. XX Max Weber foi responsável por uma distinção entre Ética de Responsabilidade e Ética de Convicção.

Ética da Responsabilidade1 VS Ética da convicção2

1) Analise de contexto, avaliação dos prós e contras respeitante a uma determinada situação para depois decidir o que fazer. Aqui as palavras de ordem são: “reflexão, ponderação e decisão”. A Ética da Responsabilidade tem a última palavra na Política.

2) Os que seguem este tipo de ética seguem sempre os princípios em que acreditam. Assim, utilizam as suas convicções em toda e qualquer ocasião sem pensar nas consequências da sua acção.

Ex: o pacifista convicto, em qualquer situação recusa-se a pegar numa arma.

Segundo Weber, a política não pode afastar-se do campo ético (ética da responsabilidade);

4.

Tipologia Ética: ética aplicada e deontologia

1. Teleologia – “télos” = fim (meta) Grécia (Aristóteles) e MacIntyre

2. Deontologia – “déon” = dever Modernidade (Kant) e Habermas

1. Qual a finalidade da vida. Depois de definida, estudar o comportamento de modo a atingir este fim.

2. Definição dos deveres que temos de seguir. Preocupação com os deveres e como os devemos cumprir. As nossas acções têm de respeitar as normas.

Dupla significação de Deontologia:

- Técnicas deontológicas;

-Código deontológico.

Código Deontológico:

Conjunto de normas jurídicas e morais, respeitantes à pratica de uma determinada profissão. Tem a legislação vigente à profissão em questão.

Documento de auto-regulação. Os que o estabelecem e criam as regras também se submetem a elas.

Para que serve um documento de Deontologia? Qual a sua função?

· Complementar a legislação vigente;

· Consciencializar os profissionais para o facto de não serem somente responsáveis pelos aspectos específicos da sua profissão, mas também pelas respectivas consequências económicas, sociais, culturais…

· Servem para facilitar e promover a consciência pública, uma vez que a criação de normas pressupõe reflexão e problematização.

· Função sociológica - atribui identidade a um grupo precisamente enquanto grupo que pensa de determinada maneira e assume determinadas responsabilidades.

· Servir de meio de avaliação por parte da opinião pública, aumentando a reputação dos profissionais e a confiança neles depositada.

· Harmonizar legislações divergentes entre diferentes países, ou colmatar a inexistência de legislação.

II. Brevíssima História da Ética

1.

A Ética e a moral Kantiana: dois paradigmas e algumas derivações

Teorética - conhecimento

Filosofia

Prática - meio condução/acção; experiência

(política)

Regularidades Indução


Indeterminação

Escolha; Deliberação

Teorias dos Géneros de Vida:

A Grande Questão para a qual Aristóteles procura resposta é: PARA QUE EU DEVO VIVER?

Para tal, usa conceitos que dão resposta a essa questão:

-Fim/Fim último

-Bem/Bem Supremo

-Virtude

-“Eudaimonia” = felicidade, vida boa

Segundo Aristóteles, tudo tem um fim e há fins que são simultaneamente meios para atingir o Fim Último. (vale por si mesmo)

O fim é identificado com o bem.

Fim último = Bem Supremo

Ø Consoante aquilo que nós consideramos como sendo a felicidade, assim é o género de vida que vamos levar.

Os que levam a vida, somente à procura de prazeres, levam uma vida como os animais (Aristóteles).

Os que identificam a vida com a riqueza, nunca conseguirão ser verdadeiramente felizes, pois querem adquirir mais ou não perder o que adquiriram.

Assim, para Aristóteles, o melhor género de vida é aquele que é dedicado ao saber/conhecimento.

A disparidade de géneros de vida demonstra a singularidade do indivíduo. No caso do Homem não se pode falar de êthos (carácter), pois esta raça não tem carácter próprio.

O carácter humano vai sendo construído à medida da educação que cada indivíduo recebe. Não sendo assim padronizado! Há, portanto, a possibilidade de escolha (e de deliberação) do modo de agir.

Deliberação:

- Contingência;

- Futuro.

Aristóteles, distingue 2 tipos de Virtudes:

- Intelectuais - ensinamento (dependem de…);

- Morais – hábito (dependem de…)

Ninguém nasce com virtudes.

Aristóteles:

A virtude é a predisposição para agir de forma deliberada, constituindo numa mediania relativa a nós, a qual é racionalmente determinada como a determinaria o Homem prudente.

Conceito Chave:

- Disposição (≠ faculdades) – opõe-se a faculdade; tem que ser adquirida pela aprendizagem;

- Mediania (relativa ao indivíduo) – a virtude numa pessoa pode não corresponder à virtude de outra; é relativa a nós, cada pessoa

- Prudência (do Grego Phronesis) – virtude intelectual, fundamental no domínio da prática, da moralidade.

- Deliberado – é fazer uso da prudência e da sabedoria prática e este vai manifestar-se ao nível da temperança.

Ser prudente é agir de forma virtuosa. E agir de forma virtuosa é agir como agiria o Homem prudente. (Aristóteles)

Sempre que deliberamos estamos a ser prudentes (virtuosos) - Sabedoria prática

Tipos de carácter (segundo Aristóteles):

Intemperança1, incontinência2, continência3, temperança 4 4 tipos de carácter

1) Procura excessiva de prazeres como fim último; Não distingue o bem do mal, correcto do incorrecto e porque assim é nunca se arrepende das suas acções - ausência de arrependimento.

2) Um incontinente distingue o bem do mal, mas não é capaz de fazer o bem. O incontinente age de acordo com os seus apetites e desejos, mas contrariamente ao que a razão lhe dita;

3) Faz o que é correcto, o desejável, mas não o que deseja.

4) Há uma harmonia entre o desejo e a razão. Segundo Aristóteles, a verdadeira virtude encontra-se no Homem com carácter temperado.

A virtude é a característica fundamental para atingir a “eudaimonia” – Aristóteles

Aula 4 1-Abr-08

MacIntyre

Problemática: Universalidade VS Relativismo das Virtudes

Questão:

O facto de as virtudes serem universais, sem variar de época para época ou de cultura para cultura, ou se pelo contrário, se é relativa

MacIntyre vai assumir a posição de que não há nada na moral de imutável e intemporal. E para ele a ideia de moralidade que está sujeita e associada à mudança.

Há uma constatação de que a moral moderna se caracteriza por desordem, e queremos que volte a ter ordem para nós. A solução é recuperar as ideias aristotélicas. Esta desordem está associada ao discurso moral.


Questão do sentido das Acções:

Só depois de estabelecermos o fim, é que podemos avaliar se as nossas acções estão ao alcance desse mesmo fim.

MacIntyre aproxima-se de Aristóteles pelo ponto do fim último e a questão da vida boa – depois de estabelecido o fim último é necessário alcançar as virtudes que nos levam à vida boa.

A virtude não nasce connosco, tem que ser ensinada (Aristóteles).

Impõe-se a reflexão sobre o tipo de pessoa que queremos ser, porque esse é fim que vamos encontrar, o que queremos da nossa vida.

MacIntyre diz que se a ética coloca a