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23 de abril de 2007

O Pudor


12Vergonha, culpa e pudor numa perspectiva cientifica:
Se estudar-mos os aspectos psicológicos da vergonha e os comparar-mos aos relacionados com a culpa, perceberemos não somente o lugar diferente que o outro ocupa para o desenvolvimento destes afectos, mas também sua anterioridade em relação à culpa, contemporânea da trama edipiana, quando a vergonha aparece ligada ao pudor e à nudez. O ponto que quero destacar é um insidioso e progressivo descolamento das características sexuais da vergonha, ligadas às noções de pudor e honra e uma apresentação mais própria da cultura actual onde ela se mostra ligada aos aspectos que destacamos, sendo traduzida por uma vergonha de ser insuficiente, de precisar do outro, muito semelhante à vergonha melancólica. Mas, vamos por partes. Faz-se necessário que realizemos um recorte para o entendimento do aparecimento destes afectos, de vergonha e culpa, na cultura ocidental, de modo a compreendermos as mudanças apontadas dentro do momento cultural em que vivemos. Culpa e vergonha nem sempre estiveram ligados culturalmente. Historicamente, encontraremos na cultura grega um exemplo onde a ideia de culpa tem seu aparecimento tardio. Na aristocracia guerreira da Grécia antiga, podemos localizar um mecanismo socio-psicológico que Dodds (1998) chamou de cultura da vergonha, onde fama, prestígio social e honra eram considerados elementos necessários e supra valorizados como valores éticos e sociais. As acções humanas eram resultantes das intenções dos deuses, podendo ser descritas como desvarios, comportamentos passionais ou mesmo homicidas, sem que coubesse uma abordagem de responsabilidade individual. A progressiva queda do poder dos deuses na cultura grega posterior que culmina com Platão, torna compreensível o aparecimento da culpa. O sentido da culpa não sendo atribuído aos deuses, tornou o humano responsável por seus actos, gerado por uma intencionalidade, agora de natureza interna. Da mesma forma, o Menos, não mais sendo uma intrusão de uma paixão originada pelo capricho de um deus, promoveu a apropriação dos apetites gerando escolhas objectais que podemos incluir na noção de desejo.
Quando encontramos uma era em que a culpa aparece no cenário da vergonha, observamos que é a anterioridade da cultura da vergonha em relação à cultura da culpa que vai promover uma transformação radical nos conceitos arcaicos. A vergonha passa a ser sentida quando vinculada às experiências que se encontram ligadas à sexualidade, resultando numa certa exposição pública do sujeito frente aos outros. A montagem baseada no pudor e na honra, que aparece na nudez exposta é bastante exemplar. No artigo “Sexualidade na etiologia das neuroses” (1898) Freud descreve que o pudor está relacionado à prática clínica no que diz respeito à relação médico e paciente. O enfoque é dado para o contexto dos hábitos culturais da época e o pudor da mulher frente ao médico, que teria como protótipo a vergonha de se desnudar. Em 1905, no ensaio sobre a sexualidade infantil, Freud mantém sua abordagem ligando o pudor à exposição do corpo frente ao outro. Em um outro momento, em que o pudor é citado, no artigo “Sobre o início do tratamento” (1913), Freud, ao se referir à dificuldade do analista lidar com dinheiro, utilizará uma analogia com a vida sexual infantil do médico, onde o pudor de lidar com o dinheiro revelaria a vergonha de estar frente ao outro como que desnudado. Quando Freud diz que na primeira infância a criança é desprovida do sentimento de vergonha, seu enfoque está voltado para a não consciência desta dimensão adulta da sexualização, antes da posse da noção de diferença sexual e na minha opinião, antes de conhecer as normas e valores que a sociedade lhe irá impor. Freud escreve em 1905, em seu ensaio sobre a sexualidade infantil que, a partir de um determinado momento, levantam-se os diques da moralidade, apontando o nojo, o pudor e a moralidade – aspirações ideais estéticas e morais – Explica que este acontecimento não estaria somente ligado a uma fonte externa oriunda da educação dos adultos, mas também, com factores hereditários, organicamente determinados. Estes factores disposicionais ganhariam reforço através das normas de higiene impostas pelos pais que assim, teriam um poder de fixidez. O resultado desta operação psíquica é criar um eficaz obstáculo à satisfação pulsional sexual baseada numa estrutura polimorfa perversa. O período de latência que se segue reforçaria estes diques até a adolescência quando, por conta do declínio do Complexo de Édipo, os vectores identificatórios e de investimento se deslocariam dos pais para as figuras substitutivas. No artigo “Mal-estar na cultura” (1930) distingue dois tipos de culpa que se encontram ligados desde o início: uma frente à autoridade externa e outra, frente ao Superego. Tudo que diga respeito ao corpo e a seus desejos deve se manter afastado do olhar do outro. Assim, estaríamos no terreno da vergonha. Mais tarde, o vice-versa, ou seja, o dever de se manter afastado do território alheio, o remeterá ao sentimento de culpa. A concomitância destes dois tipos de sentimentos são contemporâneos à interligação do conflito entre os interditos parentais e as tendências à satisfação pulsional imediata. Mais tarde, nas “Novas conferências” de 1933, o sentimento de culpa aparece ligado ao sentimento de inferioridade como resultado da tensão entre inter sistémica do Eu com o Supereu, que o condena. Reconhecemos aí, uma dinâmica estrutural que pode ou não ter efeitos mórbidos. Na neurose obsessiva e na melancolia encontramos exemplos desta função hipertrofiada resultando em quadros que cursam com um severo investimento destrutivo contra o Eu. A ambivalência, que constitui a forma dinâmica de relação da criança com os pais, frente ao dilema da demanda de amor e protecção e a agressividade pela frustração da renúncia a estes, vai se transformar em um sentimento de culpa e no desejo de ser punido. No rastro desta luta, o Supereu vai reunir estas características punitivas estabelecendo, então, a tensão que acima mencionamos entre o Eu e o Supereu, sob a forma de uma angústia moral. Na culpabilidade, estará ressaltada uma falta cometida pelo sujeito, onde não necessariamente estará incluído o outro, como alguém externo. Neste ponto, encontramos uma grande diferença entre a culpabilidade e a vergonha pela relação de importância que existe na presença ou não do outro para o desenvolvimento destes sentimentos. Do ponto de vista tópico, o sentimento de culpa marca uma tensão entre o Eu e o Supereu, enquanto que no sentimento de vergonha a tensão se dá entre o Eu e o Ideal do Eu. Do ponto de vista económico, podemos afirmar que a vergonha é mais perniciosa que a culpa pela intensidade do dano a que o Eu se submete. Esta intensidade se refere ao esfacelamento das funções defensivas egóicas que constituem uma forma de perda do controle de si frente a uma testemunha. Esta figura da perda do controle é fundamental para que se entenda o grau de comprometimento que a vergonha carrega em si mesma. É neste carácter de exposição que a vergonha se mostra mais virulenta que a culpa. Enquanto a culpa exige uma reparação e esta se torna, geralmente, possível, no caso da vergonha, não há reparação possível. O que se encontra em jogo é a imagem que o sujeito tem de si em contraposição com aquela que ele imagina que as pessoas têm dele. Na vergonha aparece uma certa impotência de si mesmo que o sujeito acha que os outros foram testemunhas. Em última análise, a culpa revela o confronto do sujeito com a lei e o desejo, enquanto que a vergonha o faz com a imagem de si frente ao outro, ou seja, com o narcisismo. Já uma outra forma de se apontar a vergonha estaria na regulação daquilo que é público e do que é privado. A vergonha aparecerá sempre que algo do mundo privado se tornar exposto, público. A interiorização do lado censor, próprio do Supereu vai acarretar em uma característica importante, qual seja, a não necessidade da intervenção do outro para que a vergonha apareça. Na culpabilidade, sempre teremos a reprovação de um terceiro não intirnalizado. Embora não localizada em alguém específico, a vergonha pode ser desenvolvida pelo julgamento atributivo ao grupo e ao social. Neste caso, a vergonha guarda a possibilidade de atribuirmos um peso ao olhar de alguém, mesmo que este outro não perceba seu carácter de denúncia. Em torno da primeira tópica freudiana situamos a vergonha claramente ligada ao pudor e, portanto, à sexualidade, tendo como pano de fundo a essência do conflito psíquico balizada pela sexualidade e a moral. Quando Freud escreve o artigo “Introdução ao narcisismo” (1914) há a necessidade de se ampliar o conceito de sexualidade, não mais restrita à vinculação com a nudez e às transgressões de natureza edipiana. Essa nova sexualidade que apresenta em 1914 é metaforizada e ampliada, tornando qualquer investimento como sexual. Desta forma, em meio às polémicas típicas do movimento psicanalítico, Freud não abre mão da sexualidade e introduz o conceito de narcisismo. Assim, auto-estima também é uma expressão da sexualidade. Exactamente este aspecto é que necessitará que a vergonha ganhe um outro enfoque. Já falamos da vergonha ligada ao sexual, ao pudor e à exposição nos casos de nudez. Será necessário que abordemos a vergonha como ligada ao narcisismo, ou seja, uma vergonha que tem ligação com injúrias narcísicas. Existem pensamentos que mobilizam a culpa e tem pensamentos que mobilizam a vergonha. Após darmos uma visão geral a respeito das relações entre culpabilidade e vergonha, com a finalidade de mostrar que muitas vezes a vergonha se encontra ligada a situações que envolvem a sexualidade, quando associada ao pudor e à honra, e outras vezes, a vergonha aponta algo que diz respeito ao narcisismo e à perda do controle de si, cabe nos determos nesta segunda forma de expressão da vergonha.

Os meios de comunicação e o despudor da sociedade:
"Quando quisermos destruir uma nação, deveremos destruir a sua moral. Assim, ela cairá em nossas mãos como um fruto maduro". A receita de Lenin, carregada de cínico realismo, sintetiza a táctica adoptada por todos os sistemas de dominação humana. Uma sociedade narcotizada pelo erotismo é presa fácil dos interesses ideológicos, políticos e económicos. A pornografia, foi amplamente instrumentalizada pelos partidários de Hitler. As bandeiras da "liberdade sexual" e da abolição da censura moral, desfraldadas pelos partidos de inspiração gramsciana, têm propiciado excelentes dividendos políticos. E também a indústria pornográfica, livre do desconforto da clandestinidade, factura em cima de uma ficção de liberdade. A experiência quotidiana, contudo, confirma os estudos realizados no mundo inteiro acerca das consequências negativas do erotismo. Ninguém pode considerar-se imune aos efeitos degradantes da pornografia, ou a salvo da erosão dos valores causada por ela. A pornografia, aberta ou a camuflada, deprecia a sexualidade, perverte as relações humanas, explora os indivíduos - especialmente as mulheres, os jovens e as crianças.
Ao longo dos últimos anos houve uma revolução mundial no modo de captar os valores morais, seguida de mudanças profundas na maneira de pensar e de agir das pessoas. Os meios de comunicação social tiveram e continuam a ter um papel importante neste processo de transformação individual e social, na medida em que introduzem e reflectem novas atitudes e estilos de vida. Na verdade, o cidadão médio, alheio a outras fontes de conhecimento e de pensamento, fica inteiramente exposto à influência dos meios de comunicação social, particularmente os electrónicos. Estes são os verdadeiros canais de informação e, portanto, de formação da opinião pública. Assim, a própria consciência nacional, os padrões culturais e morais, as crenças, hábitos e anseios, são, em larga medida, modelados por esses veículos de comunicação.

É natural que exista uma conexão entre o que os media produzem numa determinada sociedade e a realidade própria dessa sociedade, pois o produto e o meio interagem reciprocamente; em países de menor desenvolvimento cultural, porém, a possibilidade dos média exprimirem valores e concepções com relativa autonomia é muito maior. Na verdade, os meios de comunicação social vêm adquirindo uma espécie de monopólio sobre o tempo de lazer das pessoas, e lidar bem com esse monopólio seria a grande responsabilidade de todos os veículos. No entanto, em nome de um conceito distorcido de livre competição, pautado por meros interesses mercadológicos e pela crescente relativização dos valores morais, os media ultrapassam todos os limites da permissividade. A demissão da virtude do pudor, decretada por alguns veículos de comunicação social, é um paradigma dessa tendência.
Basta um único exemplo: uma carta, permeada de precoce amargura, foi encaminhada recentemente à redacção de certa revista brasileira por uma menina de 13 anos, do Recife. Contava ela que aos 11 anos passava dia e noite diante da televisão. "Aprendi, desde então, a ver tudo com malícia e, em consequência, amadureci antes do que devia. Que país é este, que nos passa a irresponsabilidade de uma promiscuidade sem fim?"
Os meios de comunicação social, particularmente a televisão, tornaram padrão um tipo de liberalidade inimaginável em nações civilizadas. Nos Estados Unidos, país reconhecidamente democrático, existe a Federal Commission of Communications, ligada ao Congresso, que acompanha o desempenho das televisões. Há, além disso, uma lei federal proibindo pornografia e programas obscenos, o Communications Act. Mas as próprias emissoras têm os seus códigos e eles são cumpridos com rigor. Na rede NBC, as modelos são obrigadas a usar pelo menos alguma peça sobre o corpo em anúncios comerciais. São apenas exemplos de como um meio de comunicação poderoso precisa preocupar-se com detalhes, pois é a soma dos detalhes que determina o conjunto. Na França, a Haute Autorité Audiovisuelle, composta por 90 membros, não só assessora o Legislativo, mas também fiscaliza o cumprimento da legislação.É característica essencial da democracia respeitar as diferenças de opinião, porque, de facto e de direito, o modo de pensar de todos os cidadãos merece respeito. Segmentos reduzidos da sociedade, contudo, modelam - quase que a cavaleiro sobre a realidade nacional - a cosmovisão de todo um povo. Por isso, é possível exportar, através dos meios de comunicação, para todos os cantos do país, um padrão uniforme de pretensos valores, de estilos de vida próprios de pequenos extractos sociais, que se quer impor a todos sem a menor consideração pela fisionomia do país real. Efectivamente, os paradoxos são eloquentes e reflectem o brutal equívoco de uma cultura que agride a dignidade da pessoa humana.

As ideias de tabu, repressão e libertação, habilmente manipuladas, exercem um autêntico patrulhamento comportamental. O despudor é saudado como manifestação de modernidade. A decência, contudo, é estigmatizada como anacrónica. As reportagens sobre comportamento, veiculadas nos principais meios de comunicação social, reforçam a artilharia da nova “moral”.
Vergonha, culpa e pudor numa perspectiva social:
Mas o que é o pudor?
Com rigor, podemos dizer que se trata de um sentimento complexo, difícil de definir, que incide sobre diferentes objectos, sendo um dos mais comuns a vergonha da nudez. A sua origem é remota, mas cada época privilegia um aspecto diferente do pudor. Jean-Claude Bologne, filólogo francês, no livro História do Pudor (Teorema), resume as duas definições mais comuns e significativas do conceito: “sentimento de vergonha, de incómodo que se tem ao fazer, enfrentar ou ser testemunha das coisas de natureza sexual; disposição permanente para esse sentimento” e “incómodo que se sente perante aquilo que a dignidade de uma pessoa parece proibir”.
O dicionário distingue-lhe igualmente dois sentidos, apresentando-nos um pudor corporal, sexual, e outro dos sentimentos. Enquanto isso, Martin Seligman, investigador da área da psicologia positiva, define-o como uma das 24 forças (de carácter) presentes nas seis virtudes humanas. No caso do pudor, este está ligado à temperança, cujo pecado correspondente é a gula. Embora surja muitas vezes associado à timidez, é diferente desta. De acordo com especialistas da matéria, tem a ver com o escondido, com o não querer desvendar. A partir do momento que existe um desejo de revelar, o pudor desaparece. Já a timidez é uma inibição, está na ordem do bloqueio. “Tem a ver com o medo de falhar e ser julgado pelo outro. Passa pelo receio, pelo temor de enfrentar determinadas situações, eventualmente sociais. Este pode atingir tamanhas proporções que o indivíduo deixa de enfrentar os desafios que a vida lhe coloca”, observa a psicóloga clínica e terapeuta familiar, Catarina Rivero. “Já o pudor tem a ver com o corpo, com o sexual.”
Pode-se ser tímido sem se ser pudico, e o contrário também é verdade. Há pessoas que não têm problemas com a nudez do corpo, no entanto, não gostam de desnudar-se de sentimentos, de se revelar. Outras, pelo contrário, conseguem falar de si, até mesmo contar detalhes da sua vida íntima, mas têm muita dificuldade em mostrar uns centímetros do corpo.
De qualquer forma, do pudor, há quem diga que é como o medo: na medida certa, é estruturante. Resguarda-nos. “Em demasia, pelo contrário, pode ser prejudicial. Aliás, tal como a timidez”, afirma Marta Borges Pires, psicóloga clínica e terapeuta familiar. Porém, conforme assegura também, há sempre uma esperança: “Ambos podem ser trabalhados.” Social, histórico, cultural e dinâmico, o pudor é um conceito subjectivo. Não há um único tipo ou espécie de pudor, há vários ao longo das épocas e até dentro do mesmo tempo histórico. “Quando, no século XVII, as viagens intercontinentais revelaram aos Europeus povos que obedeciam a um pudor diferente do seu, surgiu uma nova reflexão (sobre este sentimento)”, declara Jean-Claude Bologne.
Cada tempo e sociedade cria os seus próprios “recatos” ou dá incidência a uns em detrimento de outros. Segundo Hans Peter Duerr, em Nudez e Pudor – o mito do processo civilizacional (Notícias Editorial), os indivíduos do final da Idade Média não só se “surpreendiam com os selvagens mais ou menos nus, como já antes se indignavam com os membros despidos ou meio despidos das seitas”. E assegura: “A partir desse dado, concluímos que não se pode falar de uma nudez pública sem quaisquer problemas naqueles tempos.” Mais tarde, em 1822, dissertando sobre o tema do amor, Stendhal também se refere ao pudor. “Uma mulher de Madagáscar deixa ver sem pensar o que aqui mais se esconde, mas morreria de vergonha se tivesse de mostrar o braço”, escreve no livro Do Amor (Pergaminho). Segundo o autor do célebre tratado de paixões e ciúmes, três quartos do pudor “são coisa apreendida”. “É talvez a única lei, filha da civilização, que só produz felicidade.” Quanto à sua utilidade? “Ela é a mãe do amor, nada se lhe poderia recusar.” E os mecanismos deste sentimento? “A alma ocupa-se com a vergonha em vez de se ocupar a desejar; sufocam-se os desejos e os desejos conduzem às acções.”
As diferenças de perspectiva e formas de interiorizar este sentimento não são coisas do passado. Por causa de sentimentos de pudor, nós tapamos algumas partes do corpo, e essa prática tornou-se norma social. Os indígenas de alguns clãs destapam-nas e não é por falta dele. Em algumas tribos do outro lado do Mundo, mulheres e homens andam praticamente nus. Sem culpa nem pecado… nem pudor! E, para fazerem o “apelo sexual”, conforme explica Catarina Rivero, agem precisamente ao contrário de nós, ocidentais: vestem--se. “Por exemplo, algumas mulheres tapam os seios.” O sentido de pudor vai evoluindo e adaptando-se. A psicóloga lembra que, em Portugal, por exemplo, se há 60 anos uma mulher viesse para a rua de mini-saia, como hoje, “isso seria considerado impúdico, pois o seu gesto ressaltaria o aspecto sexual”. Neste caso, “podemos verificar uma relação entre moda e pudor: a primeira faz evoluir o conceito da segunda”. Contudo, lembra, “nesta mesma altura, nas herdades agrícolas, as mulheres subiam as saias para melhor trabalhar e não eram avaliadas no mesmo sentido”. Posto isto, podemos concluir que, afinal, o pudor também está condicionado pelo lugar.
No seu livro, Jean-Claude Bologne escreve que “na praia ou na avenida, o fato de banho não tem o mesmo significado”, e lembra que o “pudor individual” – o que cada indivíduo tem em mostrar-se, ver-se nu ou com roupa mais ousada – reforça-se com um “pudor social que define, em função da época e do lugar, os limites tolerados à exibição”. E acrescenta: “A moral vestida de grego ou de latim, conhece também a distinção entre ethos (regras de conduta individuais) e habitus (regras de vida social)” Aliás, para este especialista, o pudor não se apresenta só “como perpétuo combate” entre “indivíduo e sociedade”, mas também “entre instinto e razão, entre consciência e inconsciência”.
Quando se trata de pudor, a fronteira entre o individual e o social é muito subtil. Socialmente, é-nos permitido o uso da roupa curta, decotes, transparências e o melhor que a moda pode criar, salvo em alguns meios. Recentemente, pais e educadores dos alunos de uma escola francesa constataram que era impúdico o uso de calças de cintura descaída que deixavam ver os slips, sendo os jovens proibidos de usar esta indumentária dentro da instituição. Sensivelmente pela mesma altura, o bispo de Leiria/Fátima, D. Serafim Ferreira da Silva, agradecia a presença e a fé por todos manifestada, mas criticava os que se tinham apresentado, no recinto do lugar das aparições, com os corpos “mais descobertos do que o desejável”. “O Santuário não é uma praia nem uma esplanada”, alertava. A diferença entre os dois casos é que este último trata de um pudor específico: o sagrado, que, conforme a definição, proíbe em igrejas e outros recintos sacros o que é permitido fora deles.

Tipologia do pudor:

Não existe um único, mas variadíssimos.
 O individual: diz respeito ao que cada indivíduo interioriza, de acordo com o seu carácter. Prevalece no século XIX
 O social: tem a ver com os limites tolerados em função do lugar e do estrato social. A sua expressão ganha fôlego na França do século XVII
 O cristão: ligado à consciência do pecado original
 O sagrado: proibia a entrada dos indivíduos num templo sem se estar purificado. É predominante na Grécia Antiga, reaparecendo por momentos nos anais da cristandade ocidental, principalmente nos finais do século XVII
 O religioso: ergue-se contra a nudez pagã, inscrevendo-se num quadro bem mais vasto que é a luta contra o paganismo
 O sexuado: constitui a parte mais constante da herança helenística. O homem nu não choca, a mulher nua é escandalosa, pelo que são raras as estátuas de mulheres nuas, por exemplo
Seja o que for para cada indivíduo e sociedade, é transmitido desde muito cedo, à semelhança de outros valores fundamentais. Segundo Marta Borges Pires, “as crianças vão interiorizando a concepção de pudor vigente no seu tempo e na sociedade onde nascem e vivem através do processo de socialização, à medida que adquirem todos os padrões de pensamento e comportamento característicos dessa colectividade”. Provavelmente, esta aprendizagem permite--nos também ter uma noção das regras de pudor adequadas aos lugares e a respeitar a vergonha dos outros.
Os pensadores do nosso tempo são objectivos: os pudores do século XX, de que somos herdeiros directos, estão mais na ordem dos sentimentos. “É indecente (...) falar de si próprio, fazer perguntas indiscretas e falar de dinheiro”, conforme se pode ler em História do Pudor. Segundo o autor do livro, Monsenhor Lustiger afirmava a este respeito que “nos escondemos para fazer o sinal da cruz, que antigamente se multiplicava à vontade”.
“São estes os pudores do nosso século, vergonha do que hoje se considera fraqueza”, observa Jean-Claude Bologne. “Pressente-se aí o laço que une o pudor corporal e pudor dos sentimentos. É errado tentar distinguir neste vínculo um pudor exterior e outro interior. A vergonha da nudez nasceu numa época em que mostrar-se nu era sinal de fraqueza (Idade Média) ou de ridículo (século XIX). Hoje, a moda quer que a literatura, as artes, a publicidade se libertem do pudor corporal: por isso, ele desapareceu do domínio artístico enquanto na vida quotidiana continua a usar-se bastante.”
De qualquer forma, o pudor masculino é diferente do feminino. O do sentimento – chorar, lamentar-se, orar e corar, por exemplo – foi sempre considerado domínio do homem. A mulher privilegia o corporal. A noção de pudor feminino está muito ligada à nudez, às coisas do corpo e do sexo.
A diferenciação dos pudores por sexo é antiga e prevalece nos nossos dias, embora as fronteiras entre uns e outros não sejam tão rígidas e estanques como outrora. Num tempo em que se cultiva o êxito e o sucesso, e se recusa todo o tipo de fragilidades, o pudor dos sentimentos ganha novo fôlego sem distinção por sexos. Espera-se, por isso, que os indivíduos – homens e mulheres – não exteriorizem preocupações, angústias, carências e outras emoções semelhantes. Por outro lado, curiosamente, vai sendo permitido a um homem chorar, sem que uma avaliação pública tão severa e negativa caia sobre si.


Em suma, a história do pudor cumpre-se assim através dos tempos, estando presente em todos eles. Cada sociedade e tempo histórico valoriza uns em detrimento dos outros, e cria os seus. Do pudor, talvez possamos dizer que, quando bem calibrado, pode ser a virtude que zela pela nossa intimidade plena. E, neste sentido, parece valer a pena cultivar pudor.


Vanessa Bernardo

15 de março de 2007

sumário sociologia

Aula 1 02-03-2006

Qual é o 1º modelo explicativo para explicar os fenómenos da Natureza?
- O Animismo. Existem seres sobrenaturais por detrás das causas da Natureza, ou seja, um anima.


Aula 2 03-03-3006


EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO PRÉ-LÓGICO/PRÉ-CIENTÍFICO/ FILÓSOFICO

Fundamento Básico: sistema religioso como modelo explicativo da natureza humana.

Desenvolvimento do pensamento religioso (fases): animismo; fetichismo; politeísmo, monoteísmo (judaico - cristão)

Teocentrismo: Bíblia sagrada como fonte de conhecimento (Génese)
Teoria criacionismo


Século IV: cristianismo como religião oficial do Império Romano/ bases do mundo ocidental.
Teólogos da Igreja Católica:
- Santo Agostinho (354-430): “Cidade de Deus”
- São Tomás de Aquino (1225-1274): “Suma Teológica”

Idade Média (X-XV): poder politico quase absoluto da Igreja Católica e o monopólio do conhecimento (não) científico.
(ver a obra: “O nome da Rosa”, Umberto Eco)

Idade Moderna (XVI): surgimento do pensamento cientifico laico.

Teocentrismo: Teo (Deus) Centro (+ismo = filosofia)
Deus é o centro do mundo e a causa de tudo o que acontece.

Modelo Laico – desprovido de fé

Evolução do Pensamento Científico

Antropocentrismo: O Homem como fonte de conhecimento, através da razão.

Ordem social laica: acções sociais não directamente determinada pela vontade divina; ruptura com a crença de que os factos sociais são comandados por uma ordem superior (DEUS)

RENASCIMENTO ITALIANO: Leonardo da Vinci (1452-1519);
SÉC. V-XV: idade das trevas (não houve descobertas).
ILUMINISMO: pensamento cientifico que parece depois da idade das trevas (séc. xvi)

Questões Epistemológicas

Definição de ciência: ciência é uma representação intelectualmente construída da realidade (social)
Estatuto de Ciência: Objecto próprio de estudo.

A ciência deve-se situar ao nível da abstracção e generalidades, que lhe permite elucidar regularidades, formar leis, construir modelos interpretativos.
Ela deve definir problemas susceptíveis de resolução através de uma actividade de pesquisa.
Ciência “é também procurar soluções para problemas. Ela própria elabora e testa os meios necessários: conjuntos coerentes de conceito e relações entre conceitos – as teorias – uma linguagem conceptual adequada e tanto quanto possível exclusiva, instrumentos técnicos de recolha e tratamento de informação, métodos de pesquisa”.

Estratégia cientifica: processo de avaliação do conhecimento, através do método dialéctico, assente no princípio do contraditório (tese – antítese – síntese - tese…)

Critérios científicos de controlo das teorias: principio da racionalidade como modelo explicativo (total ausência de senso – comum); compatibilidade com outras teorias; relação entre construção teórica e pesquisa empírica; a sistematicidade (exaustividade da explicação proposta); operacionalidade na recolha, tratamento e interpretação (análise) dos dados empíricos.

Aula 3 09-03-2006

Contexto económico-social (segunda metade do séc. XIX):
§ Revolução Industrial e o processo de transformação da sociedade Europeia – separação de um grupo, q detém o capital e da classe q tem a mão-de-obra.
§ São os grupos económicos que determinam os grupos políticos.


- BASES CIENTÍFICAS:
a) Evolucionismo biológico (Darwin, origem das espécies, 1859)
Evolucionismo social/cultural: do biológico ao social.
Filósofo inglês Herbert Spencer (1820-1903): princípios de sociologia, 1874.

Tese – desenvolvimentos progressiva uni linear da humanidade; processo evolutivo da sociedade humana, das mais simples/primitivas para as mais complexas/industrializadas.
- Os povos primitivos testemunham s primeiros estágios evolutivos da humanidade.

b) Positivismo: Filósofo francês Augusto Conte (1793-1857)
Cours de philosophie (1830-1842)

Física Social: defende a necessidade de construir uma ciência positiva dos fenómenos sociais (sociologia), tendo como objectivo o estabelecimento de leis da evolução social e histórica.
Premissa epistemológica que se baseia em métodos científicos racionais e experimentais. Valoriza os factos observáveis e verificáveis.
Processo evolutivo no campo de conhecimento cientifico, da cultura e da sociedade.
Fases de desenvolvimento: teológico (sobretudo); metafísica (natureza dos seres e destino final das coisas); positiva (procura das leis; analítico e sintectico).


- Carácter prático da sociologia: contribuir para o progresso da humanidade. De que forma? Utilizando o conhecimento cientifico para prever e controlar o comportamento humano.
- Aplicação social e política do positivismo; ex: Brasil
- Ordem (por causa das perturbações sociais ocorridas no séc. XVIII e XIX) e progressos (consequência da ordem social)

Objecto de estudo da Sociologia

Estuda os variados modos como as acções humanas são condicionadas por relações estabelecidas ao nível do grupo e organizações no meio em que se inserem: famílias, circulo de vizinhança, colectividades locais, meios profissionais, instituições, Estados…
O objectivo central da sociologia é compreender a acção social assim explicar as suas causas, desenvolvimento e efeitos, compreender as regularidades sociais.
São problemas centrais para a sociologia. Fundamentos (normativos e simbólicos) da acção, dos progressos de socialização e sociabilidade, da estratificação, integração social, conflito e mudança
As acções humanas são produzidas, transformadas e reproduzidas, num processo dinâmico de “mudança social”

§ Socialização – forma como a sociedade se reproduz


Fundamento normativo – socialização – reprodução Fundamento Simbólico· social Þ mudança







Aula 4 10-03-2006

Acção Social:
§ O nosso comportamento baseia-se neste dois fundamentos: normativa e simbólica.
§ A socialização é importante porque é a forma como a sociedade se reproduz. Se não houvesse não haveria reprodução social

Organização Social:
§ É a forma como a sociedade se organiza ao longo da história (a nível histórico e geográfico): Estrutura Social.
Morfologia Social:
§ Marcas que o Homem deixa no espaço. Ex.: modelos económicos, que deixam marcas.

Mudança:
§ A reprodução social está sempre em mudança e sendo assim é possível compreender, isto devido à regularidade social devido aos fundamentos normativos. Mas se por exemplo houver uma mudança acelerada, pode provocar uma desorganização social ou uma mudança nesta organização

Mudança Social:
§ Ocorre quando há alteração das estruturas básicas que compõem um grupo social ou uma sociedade. É uma transformação observável no tempo, que afecta a estrutura ou funcionamento da organização social de uma determinada colectividade e que modifica o curso da sua história.

Fenómeno Social:
§ Produto das acções dos indivíduos, que dão sentido aos comportamentos.
§ Desenvolvimento de quadros teóricos e conceitos, gerais e específicos, que permitam análises dos diferentes sistemas sociais.



Analise sincrónica: analisa um período de grande mudança social.
*ex: 25 de abril

Linha de tempo histórico – diacrónica Þ (abordagem “horizontal” da história)






________________14-18________________________39-45_____________________


Sincrónico
(corte no tempo)

-abordagem “vertical”
-abordagem a 1 período histórico.

Sincrónica e Diacrónica são conceitos que a história utiliza para analisar acontecimentos ao longo do tempo ou num período de tempo.

Fenómenos Sociais:
§ Ex.: Fenómeno de Fátima. Este fenómeno dá sentido de vida a um enorme grupo de pessoas.
- Os fenómenos são acontecimentos que dão sentido de vida ou de comportamento a 1 elevado número de pessoas.

Quadro sociológico:
§ Estuda qualquer sociedade humana. Não existe um quadro para cada sociedade.

-----A Abordagem Sincrónica ajuda-nos a perceber a Abordagem Diacrónica-----
O estudo da A.D. pode ser útil para prever uma revolução numa sociedade.
Em todas as linhas históricas da sociedade existem momentos positivos e negativos:

B

A C
______________________________________________________________________

- Previsível e regular: os factores do ponto A repetem-se no ponto C.
- Se estudarmos os pontos A e B, quando os factores que actuaram nestes pontos voltarem a aparecer podemos previr um crescimento (positivo ou negativo)

Anomia: quebra das normas sociais.
Crise social: pode não haver uma mudança das estruturas sociais.

PREMISSAS EPISTEMOLÓGICAS

a) Criai uma teoria da sociedade respeitando as exigências cientificas e rompendo com o senso comum, a fim de atingir a objectividade do discurso sociológico. Para isso o sociólogo deve romper (ruptura epistemológica) com os seus próprios preconceitos, religião, cultura, experiências, moral.
b) Ciências positivas (fases metodológicas): observação, experimentação, indução (leis), comparação, quantificação e classificação;
c) Método histórico: contexto histórico das actividades humanas.

Cruzamentos / diálogos interdisciplinares:
- O paradigma de Marcel Mauss – “o fenómeno social total” – qualquer facto social é sempre complexo e pluridimensional e, portanto, transdisciplinar. Todo o comportamento só se torna compreensível dentro de uma totalidade. Ex.: económico, político e o simbólico religioso não são comportamentos estanques – são dimensões inerentes a toda a acção social e estão profundamente interligados.

Dificuldades do Estudo do Fenómeno Social:
a) Complexidade do seu objecto de Estudo: número elevado de elementos (variáveis) que podem intervir nas acções sociais.
b) Causalidade social múltipla: enorme diversidade das razões porque é como se fazem as coisas; não há uma causa única para explicar um determinado comportamento.
c) Instabilidade das situações sociais decorrente do processo dinâmico de mudança na sociedade.
d) O sociólogo também é um actor social (membro da sociedade).
e) “Representação teatral” dos actores sociais: questões metodológicas.


Aula 5 16-03-2006

Os principais teóricos da Sociologia:

Karl Marx (1818 – 1883) 1) teoria sociológica Marxismo – URSS

Marx Weber

Émile Durkhein 2) Mudança Social
*aplicação social


Marxismo – Ideologia
- Luta de classes


§ “Dimensão macro - sociais do fenómenos”

- Introdução à crítica da Filosofia do direito de Hegel, 1843

§ “O Homem faz a Religião, a Religião não faz o Homem” – Karl Marx
*Construção social

-Manifesto Comunista, 1848 (carácter propagandista)
Burgueses X Proletários

-Uma contribuição para a crítica da economia política, 1859


*A base da política está na economia, e não na massa ou no povo.


Modelo Económico

Elite -São sempre os mesmo que alteram o poder, sempre parte da elite Política - o sentido é -A revolução relativo
É a única que pode mudar
a rotatividade, mas tam-
bem esta é feita por
Elites. Operário



§ “O trabalho como livre expressão da Natureza Humana” (karl Marx)
§ “O capital”, 1867 (Karl Marx)


Contribuição Sociológicas das obras de K. Marx:
1. Mudança Social
2. Desigualdades e conflitos sociais
3. Teoria do “materialismo histórico”

“Toda a história da Humanidade até hoje (1867) é a história da luta de classes” (karl Marx) *anacronismo

-A ideologia manipula o povo, a massa.
-O povo é a Massa Þ K. Marx
*algo que é moldável

-Política, economia e história são os temas centrais da obra de Karl Marx.

Aula 6 17-03-06

Utopia = central na obra de K. Marx. Não existiria diferenciação de classes, isto é,· sociedade sem classes (ideologia de Marx)

Religião:
-Características da Religião:

1) Forma de alienação;
2) Sublima e facilita a aceitação resignada das situações de exploração e dependência em que vive o Homem;
3) Legitima a hegemonia capitalista, que é uma estrutura económica imoral e injusta;
4) A religião é uma teoria ideológica criada para tentar justificar as injustas desigualdades sociais, económicas e políticas.

* A religião domestica as pessoas, deixa-as resignadas.

§ O marxismo ataca a religião em duas frentes: cientifica e politica.

CONCLUSÃO: As ideias de Karl Marx são utópicas.

Aula 7 23-03-06

§ E. Durkhein (1858 – 1917): Sociólogo judeu – francês. Em 1912, 1ª cátedra de sociologia em França. Perde o seu único filho na guerra (1915) – morre dois anos depois.

Contribuições: Reforça o princípio da exterioridade dos factos sociais relativamente ao indivíduo e elabora as primeiras regras metodológicas sistemáticas.


- Premissas sociológicas básicas:
§ “Factos sociais como coisas”: o sociólogo deve em primeiro lugar procurar as causas dos fenómenos que estuda.
§ “O facto social só pode ser explicado por outro facto social” (acto colectivo, prática social)
§ “O conjunto é mais que a soma das partes, pois há várias inter-relações que se estabelecem, em diferentes níveis, entre os diferentes elementos do fenómeno (social) não susceptíveis de isolamento e fragmentação”.

A sociologia estuda os factos sociais, aspectos da vida social que moldam as nossas acções enquanto indivíduos: situação económica, influencia da religião…

§ Definição de factos sociais: maneiras de pensar, de agir, de sentir, as representações simbólicas, que existem fora das consciências individuais (grupo, sociedade, religião) e que se impõem a elas.
§ Definição de papel social: “designa um conjunto de comportamentos associado à posição de cada pessoa na teia de relações sociais” (Barata, 1994:9)
§ Consciência colectiva: conjunto de normas e valores, atitudes e crenças, signos e símbolos partilhados por uma determinada comunidade ou sociedade. A ausência, ou apenas enfraquecimento, pode provocar crise, caos e anomia, sinais evidentes de desregulação da sociedade.
*desregulação do funcionamento da sociedade

§ Definição de anomia: acontece com a desestruturação do marco normativo que regula as relações entre os distintos subsistemas sociais.



Papel social Þ hierarquia social Þ estrutura social
*classes


§ A divisão do Trabalho Social, 1893: determinação de normas morais, limitação social e implantação de regras jurídicas na intermediação da divisão do trabalho (diferenciação Social). Força moral exterior (consciência colectiva) ao puro interesse do indivíduo. A divisão social do trabalho torno, objectivamente o indivíduo mais dependente de outrem em virtude do carácter parcelar do seu trabalho. Por outro lado, isso reforça a consciência da sua diferença, da sua individualidade.

§ Solidariedade mecânica (semelhança): caracteriza as sociedades simples, primitivas, com ausência ou pouca especialização de funções, papeis sociais – homogeneidade de valores e padrões de conduta.

§ Solidariedade orgânica: caracteriza as sociedades modernas onde existe uma importante “divisão do trabalho” e grande especialização de funções e papeis sociais.

A divisão do trabalho (bens e serviços,) materializado no desenvolvimento social moderno substitui gradualmente a religião como base da coesão social.

§ As regras do método sociológico, 1895: afirmação de objectividade do conhecimento sociológico – delimitação do objecto de estudo e aplicação de métodos científicos de investigação empírica.

Fordismo – Conceito de economia. Linha de produção de uma industria, em que casa pessoa desempenha um papel especifico em cada tarefa. O sistema só funciona, se cada um desempenhar o seu papel de forma coerente. Se um individuo falha, falha a colectividade também e o sistema para. Gestos mecânicos, consciência da importância do seu papel.

- Revista L’Anée Sociologique (1896-1913): Teoria sociológica e investigação empírica.

- “O suicídio”, 1897: o suicídio é explicado pelo social.

Tipos de suicídio:
a) Egoísta: “o suicídio vira na razão inversa do grau de integração na sociedade religiosa, domestica e politica” – adaptação do individuo a sociedade: quanto maior o isolamento do seu meio geográfico e social (casamento/divorcio, família, Religião) maior a taxa de suicídio.
b) Altruísta: Défice de individualização o individuo está fortemente submetido aos valores colectivos; p.e: as sociedades fortemente militarizadas. Acontece em tempos de crise politica, revolução, guerra.
c) Anómico: desestruturação/desregulamentação das normas sociais – caos social; crise económica.

- “As formas elementares da vida religiosa”, 1912

Aula 8 24-03-06

O NOME DA ROSA – visionamento

Aula 9 30-Mar-06

Max Weber

§ Economia + história Þ Social

§ Religião – elemento importante na sociedade e no comportamento social.

§ Grandes civilizações = grande religião




Europa + EUA


OCIDENTE Þ Base Religiosa do Cristianismo



DEMOCRACIA
INDIVIDUALISMO
CAPITALISMO
LAICIDADE (?) – separação do Estado da Igreja
* Na prática a Europa não é uma sociedade Laica

- A Europa é simultaneamente cristã, judaica e islâmica.
*Têm a mesma base teológica


§ Teoria da secularização: “desencantamento do mundo” Þ sociologia da religião.
§ Positivismo: razão - racionalismo
>Razão

A Teoria de Max Weber não se pode aplicar, porque actualmente estamos no “reencantamento do mundo” (a partir de 1960). Þ A nível social.
O mesmo não se aplica na teoria da secularização do Estado, pois ao contrário do que acontece no Estado, a Religião tem cada vez mais importância na sociedade.

§ “A ética protestante e o espírito do capitalismo”, Max Weber.
- Racionalismo: Pensamento cientifico/tecnológico Þ Capitalismo
- Religião: Fundamentos normativos e simbólicos de toda a sociedade humana.

Protestantismo ¹ Catolicismo


Com base no trabalho


§ Norte da Europa (Protestante): - países mais ricos, com mais capitalismo
- Igreja pobre, sociedade rica.

§ Sul da Europa (católico): - países menos ricos, menos capitalismo
- Igreja rica, sociedade pobre.

Aula 10 31-Mar-2006

Karl Popper
“A lógica da descoberta científica”, 1959

§ Método indutivo: particular Þ geral (leis gerais de comportamento)
§ Método dedutivo: geral Þ particular



Método: observação (do facto social), classificação do fenómeno e analise dos factos sociais. Ex: França (anomia social);
Forma de atracção orientada, visando sempre um conhecimento da realidade empírica.
*No terreno; prático.

Ex: cova da moura
Parto do geral (porque já há trabalhos feito sobre o assunto) para o particular (realidade empírica), e do particular formo lei (geral)

Técnicas: refere-se à recolha e tratamento da informação.

Técnicas fonte da informação:
§ Documental: trabalhos já realizados (livros, trabalhos, artigos, filmes*, fotografias…)
§ Estatísticas.

*Filmes e documentários – Antropologia visual


Estatísticas Quantitativo

Métodos utilizados numa investigação:
* Os métodos dependem do tipo de investigação

§ Método quantitativo: (quantificação do fenómeno)


a) Técnica estatística

§ Caracterização da população (caracterização social)

§ Grupo/sociedade

§ Questionário**


**Ordem de apresentação das perguntas; como elaborar as perguntas; quantidade de perguntas.


§ Método qualitativo: (qualificação do fenómeno)

Semi–directiva: maior margem do entrevistado.
a) Técnicas:
§ Entrevistas (opinião)
(***)
Directiva (aplicação de um questionário (“face to face”)

§ Observação directa: o observado não pode saber que está a ser objecto de estudo;

§ Analise de conteúdo: Palavras-Chave (mitenas)


(***) Depende do entrevistado, do tema e do objectivo.


Aula 11 20-Abr-2006


AS PRINCIPAIS TEORIAS

Toda a teoria sociológica consiste numa problematização compreensiva de estruturas e processos sociais, na forma de discursos interpretativos da realidade social, ou seja, natureza e função das relações sociais.
Construtivismo (Berger & Luckman; Bourdieu; Giddens; Touraine): considera que a realidade social é fruto de uma construção histórica (permanente) e quotidiana dos actores individuais e colectivos.


§ Estruturalismo – Antropologia (Levi-Strauss)
Observação das estruturas que compõem a sociedade. Procura entender no interior de uma sociedade os elementos estruturais, ligados entre si – e que provocam (des) equilíbrio no sistema – que explicam o porquê da mudança social.

Estrutura: combinação das partes num todo.


§ Forte influência da:
a) Escola de Praga: Jackbson – a língua é uma totalidade sistemática.
b) Linguística de Ferdinand Saussure – a língua é um sistema cujas partes devem ser consideradas na sua solidariedade.



Diferentes abordagens da realidade social:
® Individual – analisa a personalidade de cada componente ou do conjunto das suas personalidades consideradas individualmente.
® Grupal – analisa o processo de interacção que se desenvolve em sociedade.
® Morfológico – analisa o conjunto de variáveis importantes na composição, no espaço e no tempo, nos indivíduos e na dimensão física dos grupos.
® Sistémico – analisa as inter-relações como tais, independentemente das pessoas que as realizam.
® Cultural – centra-se nos valores, nas ideias e nas normas que, em sociedade, os indivíduos aprendem, partilham e transmitem.



§ Funcionalismo – Antropologia (Malinowsky)
Explica os factos etnológicos (e sociológicos), a todos os níveis do seu desenvolvimento, pela sua função, pelo papel que desempenham no sistema cultural total, pela maneira como se interrelacionam neste sistema.
Há uma lógica do conjunto que responde a uma necessidade específica. É essa função que assegura a sua existência como expressão de um fenómeno (sub-sistema) dentro de um sistema social/cultural total.


Estrutural – Funcionalismo

Estruturalismo Funcionalismo
Religião Sociol
Org.
Social

Econ.
Ideias
Politica
estrutura

cultura/sociedade

“Mudança Social”





Rel. Polit. Econ.
Sub-Sistema

Sistema (cultural/social)

COMPLETAM-SE
(devem ser utilizadas em conjunto, formando uma teoria
ESTRUTURAL-FUNCIONALISMO)




Funcionalismo – Sociologia
Robert – Merton, Elementos de teoria e de método sociológico, 1965, considera que os fenómenos sociais específicos devem ser explicados pelas funções que exercem dentro do sistema social total.
Talcott Parsons, no contexto do funcionalismo americano, considera a existência de 4 sub-sistemas principais: económicos, politico, cultural e societal


Críticas à teoria funcionalista: a questão da disfunção social.
§ Roger Bastider: “o funcionalismo explica bem porque é que as coisas subsistem, mas não explica porque é que elas mudam. (Não tinha razão)
§ Robert Merton: as disfunções, que são provocadas por causas externas ao sistema, perturbam, a adaptação e a harmonia do sistema.

Da Antropologia das sociedades primitivas à Sociologia das sociedades complexas: o problema da importação da teoria antropológica estrutural funcionalista para a Sociologia:
- o factor histórico e a questão da dinâmica social
- sociedades primitivas: diferente combinação dos elementos no contexto da totalidade total e a harmonia do seu funcionamento.

O conceito de “área cultural”:
- “sociedades complexas: maior dinâmica interna (as rupturas de equilíbrio que provocam mudanças) e externa (relações e contactos entre diferentes sociedades).

Notas:
§ A anomia torna-se diferente conforme a sociedade onde se desenvolve.
§ A disfunção social é muito mais rápida em sociedades complexas.
§ Não se pode falar em anomia em sociedades primitivas.
§ O Funcionalismo é a melhor forma de compreender as mudanças sociais num determinado contexto.
§ Sociedades Complexas Þ maior dinâmica, logo pode haver mais rupturas internas ou provocar mais mudanças.


joão pereira
ana sofia simões

trabalho de sociologia sobre o satanismo

Ana Sofia Simões
João Filipe Pereira
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Capítulo 1



1.1 O início do Satanismo

O satanismo «nasceu» quando Anton La Vey, formou a Igreja de Satã em 1960, na Califórnia. O satanismo ficou completo, em 1969, quando LaVey escreveu a bíblia satânica.
É por «Papa Negro», que Anton LaVey é conhecido pela maioria dos seus seguidores. Começou a caminhada para o alto sacerdócio da Igreja de Satã «Church of Satan», quando tinha 16 anos e era organista num parque de diversões.
Como ele diz: “No sábado à noite via homens que desejam as mulheres seminuas que dançavam no parque, e no Domingo pela manhã quando estava a tocar órgão para a barraca dos evangelistas no outro extremo do parque, eu via esses mesmos homens a sentarem-se nos bancos da igreja com as suas esposas e filhos, pedindo perdão a Deus pelos seus desejos carnais. E no sábado seguinte voltavam ao parque para as «meninas» do parque ou para outro local de indulgências. Eu soube então que a Igreja Cristã prospera em hipocrisia, e a natureza carnal daquele homem sempre existirá” 1
Foi numa noite de Abril de 1966, no festival de Walpurgisnacht 2, que LaValey rapou a cabeça e oficialmente anunciou a formação da Igreja de Satã. Ele necessitava de uma Igreja que valorizasse os desejos carnais. “A adoração dos aspectos carnais produz o prazer.” Portanto “que haja (…) um glorioso templo de indulgências…” 3

_____________________________
1 LaVey, Anton Szandor; A Bíblia Satânica, Lisboa, p.2
2 Em memória a St. Walpurgis. Pode ser chamada ainda por Walpurga, ou ainda Walburga, dependendo do momento e da área em que alguém se refere a ela – nasceu em Sussex no final do Séc. VII ou inícios do Séc. VIII e foi educada em Winburn.
3 LaVey, Anton Szandor; A Bíblia Satânica, Lisboa, p.2
1.1.1 Que se entende por Satanismo?
O Satanismo é um movimento religioso e filosófico centralizado à volta de Satã, ou outra entidade identificada com Satã, ou centrado nas forças da natureza, em particular da natureza humana, representada por Satã como um modelo. Ao contrário de muitas religiões e filosofias, o satanismo foca a sua atenção no avanço espiritual do indivíduo, em vez de a focar na submissão a uma divindade ou a um conjunto de códigos morais.
Num sentido mais antigo, a palavra “satanismo”, também se refere a práticas não ortodoxas dentro das religiões abraâmicas que a ortodoxia considera estarem na oposição directa do Deus abraamico. Por exemplo, o primeiro caso que se conhece do uso da palavra “satanismo” surge em “A confutation of a book (Bp. Jewel) intituled An apologie of the Church of England”, por Thomas Harding (1565):
II, ii, 42b, “Meaning the time when Luther first brinced to Germaine the poisoned cuppe of his heresies, blasphemies, and Satanismes.” (Traduzindo: “O que significa a época em que Lutero pela primeira vez trouxe à Germânia a taça envenenada das suas heresias, blasfémias e satanismos”).
Visto que, o visado teria negado qualquer ligação entre os seus ensinamentos e Satã, este uso do termo “satanismo” era principalmente pejorativa. Muitos satanistas acham ofensivo este uso do termo.
A palavra “Satã”, em si, não tem relações com o demónio. Significa “inimigo”, “opositor”, e foi adoptado como termo pejorativo pela Igreja Católica, que também falou de vários rituais, supostamente praticados pelos satanistas. Os acusados de satanismo eram os cientistas, tais como Galileu. Os rituais que a Igreja inventou na época para assustar a população são praticados, actualmente, por algumas pessoas que se dizem seguidoras do demónio, ou rebeldes à igreja.
Recentemente, um grande número de satanistas rejeita o que pode ser considerado crenças, atitudes e adoração religiosas tradicionais, favorecendo visões do mundo e práticas mais egoístas, como a feitiçaria.


1.2 A Bíblia Satânica

1.2.1 O que é?

A bíblia satânica, ao contrário do que se pensa, não tenta comprovar a existência de um deus do mal, nem dita as leis do mal.
Como LaVey escreve em 1968 “aqui você encontrará a verdade – e a fantasia. Cada uma é necessária para que a outra exista; mas cada uma podendo ser reconhecida pelo que é. Aqui está o conceito satânico por um verdadeiro ponto de vista satânico.” 4
Esta bíblia, apenas tenta demonstrar um ponto de vista, não incute maldade ou frases diabólicas.
Explica, ainda, o aparecimento da figura do Diabo e dá exemplos de vários outros nomes diabólicos. Assim, como decifra os vários rituais e as missas negras.
Está ainda dividido pelos quatro elementos essências: ar, fogo, terra e água.



_____________________________
4 LaVey, Anton Szandor; A Bíblia Satânica, Lisboa, p.6
1.2.2 As 9 declarações satânicas

1. Satã representa indulgência, em vez de abstinência!
2. Satã representa existência vital, em vez de espirituais castelos de ilusões!
3. Satã representa sabedoria pura, em vez de hipocrisia auto-ilusão!
4. Satã representa bondade para aqueles que a merecem, em vez de amor desperdiçado aos ingratos!
5. Satã representa vingança, em vez de virar a outra face!
6. Satã representa responsabilidade para o responsável, em vez de relacionamentos com vampiros psíquicos!
7.satã representa o homem simplesmente como outro animal, às vezes melhor, mais frequentemente pior do que aqueles que caminham de quatro, porque no seu «espírito divino e desenvolvimento intelectual», se tornou o animal mais cruel de todos!
8. Satã representa todos, os assim chamados, pecados, pois eles levam a uma gratificação física, mental e emocional!
9. Satã tem sido o melhor amigo que a Igreja já teve, pois ele sustentou os seus negócios durante todos estes anos!

1.2.3 Os nove pecados satânicos 5
1. Estupidez – O topo da lista no que diz respeito aos Pecados Satânicos. O Pecado Cardinal do Satanismo. É pena que a estupidez não seja dolorosa. Ignorância é uma coisa, mas a nossa sociedade alimenta-se cada vez mais da estupidez. Depende das pessoas seguirem tudo aquilo que lhes é dito. A comunicação social promove uma estupidez tratada como uma postura que não é apenas aceite mas louvada. Os Satanistas devem aprender a ver para além dos truques e não se podem dar ao luxo de ser estúpidos.2. Pretensão – Uma postura oca pode ser tremendamente irritante e não aplica as leis cardinais da Lesser Magic. No mesmo patamar da estupidez no que diz respeito ao que mantém o dinheiro a circular nos dias de hoje. Todos são levados a sentir-se alguém importante, quer consigam feitos que o comprovem ou não.
3. Solipsismo – Pode ser bastante perigoso para os Satanistas. Projectar as reacções, respostas e sensibilidades em alguém que não está provavelmente alinhado com a própria pessoa. É o erro de esperar que as pessoas retribuam a mesma consideração que naturalmente lhes é dada. Não o farão. Em vez disso, os Satanistas devem esforçar-se por aplicar o ditado "Faz aos outros o que eles te fazem a ti." É trabalhoso para a maior parte das pessoas e requer constante atenção, não se vá cair na confortável ilusão que todos são como nós. Como já foi dito, certas utopias seriam ideais numa nação de filósofos, mas infelizmente (ou talvez felizmente, de um ponto de vista Maquiavélico) estamos longe desse ponto.
4. Auto-Ilusão – Está nas Nove Afirmações Satânicas mas merece ser repetido aqui. Outro pecado cardinal. Não devemos prestar homenagem a nenhuma das vacas sagradas que nos são apresentadas, incluindo como se espera que nos comportemos. A única altura em que se pode abordar a auto-ilusão é quando ela é divertida, e conscientemente.
_____________________________
5 APS – Associação Portuguesa de Satanismo; http://www.apsatanismo.org/
Mas dessa forma, não é auto-ilusão!

5. Conformismo de Massas – É óbvio de uma perspectiva Satânica. Não há problema em conformar-se aos desejos de uma pessoa, se em última análise isso nos vai beneficiar. Mas só os tolos seguem as massas, permitindo que uma entidade impessoal dite as regras. A chave é escolher um mestre sabiamente em vez de ser escravizado pelos caprichos das massas.
6. Falta de Perspectiva – De novo, pode ser muito doloroso para o Satanista. Nunca nos podemos esquecer de quem e o que somos, e que ameaça podemos ser, apenas por existirmos. Estamos a fazer história neste preciso momento, todos os dias. É preciso manter sempre presente uma visão histórica e social alargada. É uma peça importante quer para a Lesser Magic quer para a Greater Magic. Observa os padrões e encaixa as peças como pretendes que elas se encaixem. Não sejas coagido pelas restrições das massas – compreende que funcionas num nível diferente do resto do mundo.
7. Esquecimento de Ortodoxos Passados – Atenção que esta é uma das chaves para a lavagem cerebral que é feita às pessoas para as levar a aceitar algo novo e diferente, quando na realidade é algo que foi outrora amplamente aceite e é agora apresentado numa nova embalagem. É esperado que deliremos com o génio do criador e esqueçamos o original. Isto cria uma sociedade descartável.
8. Orgulho Contraproducente – A segunda palavra é importante. Orgulho é óptimo até ao momento em que “se atira o bebé pela janela juntamente com a água do banho”. A regra do Satanismo é: se funciona para ti, óptimo. Quando deixar de funcionar para ti, te tiveres deixado encurralar e a única forma de resolver a situação é dizendo: lamento, cometi um erro, gostava de chegar a um meio-termo, compensar de alguma forma”, então fá-lo.
9. Falta de Estética – Esta é a aplicação física do Factor de Equilíbrio. Estética é importante na Lesser Magic e deve ser alimentada. É óbvio que ninguém consegue na maioria das vezes ganhar dinheiro com standards clássicos de beleza e forma, por isso eles são desencorajados numa sociedade consumista, mas um olho para a beleza, para o equilíbrio, é uma ferramenta Satânica essencial e deve ser aplicada para maximizar a eficácia da magia. Não é o que é suposto ser agradável – é o que realmente o é. Estética é uma coisa pessoal, reflexo da nossa própria natureza, mas há configurações que são universalmente agradáveis e harmoniosas que não devem ser negadas.

1.2.4 Deus

Para os satânicos Deus existe, ao contrário do que a generalidade das pessoas possam pensar. O homem sempre criou os seus deuses, e não o contrário.
Para o satanista «Deus» – “seja qual for o nome dele ou mesmo que não atenda por nome nenhum – é tido como uma força de equilíbrio da Natureza e não algo que se preocupe com o tormento ou bem-estar dos outros.” 6

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6 LaVey, Anton Szandor; A Bíblia Satânica – livro de Lúcifer (AR), a iluminação, Lisboa, p.16
Deus é «esperança», «prece», e estes são termos que os satanistas desprezam, pois indicam apreensão.
Todas religiões de natureza espiritual são inventadas pelo Homem.
“ Se as pessoas insistem em exteriorizar os seus verdadeiros “eus” na forma de um «Deus», então porquê temer a si mesmo temendo a «Deus», porquê exaltar a si mesmo exaltando a «Deus», porquê permanecer externo a «Deus» para poder realizar CERIMONIAS ESPIRITUAIS EM SEU NOME?” 7

Afirmam ainda que quando desaparecerem todas as realidades baseadas na mentira o Homem aproximar-se-á muito mais de si próprio e ficará mais distante de «Deus».

1.2.5 Satanismo

O nome “satanismo”, apesar de ser um pouco apelativo, apenas foi escolhido porque humanismo não é religião e simplesmente um modo de vida com nenhuma cerimónia ou dogma. Satanismo tem ambos, dogma e cerimónia. O dogma é necessário a uma religião.
Assim, escolheu-se este nome em vez de humanismo ou “um nome que poderia ter a conotação de um grupo de feitiçaria, algo um pouco mais esotérico – algo menos barulhento”. 8
O satanismo é uma forma de egoísmo controlado: “Faça aos outros aquilo que eles fazem a si.”
O satanismo representa, para os satânicos, bondade para quem merece, em vez de amor desperdiçado aos ingratos!
Satanismo foi imaginado como sinónimo de crueldade e brutalidade. Só porque o satanista admite que é capaz de amar e odiar. Ele é capaz de dar abertura ao seu ódio através de uma cerimónia declarada, e mais capaz de amar a mais profunda espécie de amor.


1.2.6 O Inferno, o Diabo e a Alma

“Satã, foi, certamente o melhor amigo que a Igreja já teve pois ele cuidou dos seus negócios todos estes anos.
A falsa doutrina do Inferno e do demónio permitiu às igreja protestantes e católicas florescerem durante muito tempo. Sem um demónio a quem apontar o dedo, os religiosos do caminho da mão branca teriam nada com que ameaçar os seus seguidores.”
É assim que os satânicos vêem o demónio, como uma invenção das várias religiões para manterem os seguidores ao seu lado.
Historicamente, Satã, o principal demónio do mundo ocidental, era um anjo que acarretava a obrigação de informar Deus dos pecados humanos. Apenas depois do sé. XIV é que o Homem começou a descrever Satã como um ser maligno, meio animal meio homem, como um bode, com chifres e cascos.
Antes do cristianismo deram-lhe o nome de Satã – (hebreu) adversário, opositor, acusador, Senhor do Fogo, o inferno, o leste; Lúcifer – (romano) o condutor de luz,
_____________________________
7 LaVey, Anton Szandor; A Bíblia Satânica – livro de Lúcifer (AR), a iluminação, Lisboa, p.19
8 LaVey, Anton Szandor; A Bíblia Satânica – livro de Lúcifer (AR), a iluminação, Lisboa, p. 22
iluminação, o ar, a estrela da manhã, o leste; Belial – (hebreu) sem mestre, base da terra, independência, o norte; Leviatan – (hebreu) a serpente fora das suas profundezas, o mar, o oeste.
Conta-se que durante a Reforma um alquimista descobriu um método de invocar um demónio – Mefistófeles – do inferno e fazer um pacto com ele. Vendeu a alma através de um contrato de sangue, e em troca ficou mais jovem. Quando a morte o veio buscar este tentou fugir, contudo o seu laboratório explodiu e ele acabou por falecer.
LaVey diz que “para se tornar satanista, não é necessário vender a alma ao Diabo, ou fazer um pacto com este. Esta ameaça foi inventada pelo cristianismo para aterrorizar as pessoas.” 9
Muitos satanistas, não aceitam Satã como um ser antropomórfico, com cascos, cauda e chifres. Ele simplesmente representa uma força da Natureza.
Para as várias religiões o homem está, como que proibido de ter gratificações. Consequentemente, qualquer actividade que resulte em gratificação física e mental foi definida como «evil» – deste modo assegurando uma existência de culpa injustificada para todos!
“Então, se é de «evil» que eles nos tem chamado, «evil» nós seremos – e assim seja! A Era Satânica está sobre nós! Porque não tirar vantagens disso e viver (LIVE10)”11

1.2.7 O Sexo

Cada pessoa deve escolher por si mesma, a forma de actividade sexual que melhor se adapta às suas necessidades individuais. O satanismo não prega a liberdade sexual, mas exclusivamente o verdadeiro significado da palavra. Amor livre, no conceito satânico, significa exactamente isso – liberdade para cada um ser sincero a uma pessoa ou para favorecer os seus desejos sexuais com muitas, se realmente sente necessidade de se satisfazer desta forma.
O satanismo justifica qualquer tipo de actividade sexual que propriamente satisfaz os desejos naturais, sejam eles homo, hetero, bissexuais ou mesmo assexual. Encoraja, ainda, qualquer forma de expressão sexual desde que isso não magoe terceiros.

1.2.8 A Missa Negra

A missa negra, ao contrário do que se possa julgar, não é realizada num altar com uma mulher nua no centro envolvendo cruzes invertidas, hóstias triangulares de pão de centeio, gordura de bebés sem baptismo, queima de livros sagrados, cunnilingus, falactio e beijos gerais nas nádegas.
“Os propagandistas da igreja fizeram bem o seu trabalho, informando o público de uma história ou outra de heresias e actos abomináveis dos Pagãos, Cátaros, Bogomils, Templários e outros que, por causa da sua filosofia dualista e algumas lógicas satânicas, tiveram de ser erradicadas” 12

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9 LaVey, Anton Szandor; A Bíblia Satânica – livro de Lúcifer (AR), a iluminação, Lisboa, p. 29
10 Live em inglês significa vida – um trocadilho com o reverso da palavra EVIL que significa mal
11 LaVey, Anton Szandor; A Bíblia Satânica – livro de Lúcifer (AR), a iluminação, Lisboa, p. 30
12 LaVey, Anton Szandor; A Bíblia Satânica – livro de Lúcifer (AR), a iluminação, Lisboa, p.52
A missa negra não é mais do que um ultrajante espectáculo para o padre diletante ou que uma vez foi renegado. Se o satanista deseja criar um ritual para blasfemar uma instituição ou ceita, para o propósito de psicodrama, ele é cuidadosa em escolher um que não está em voga para parodiar. Deste modo, está verdadeiramente trilhando a vaca sagrada.




Capítulo 2



2. DIFERENTES TIPOS DE SATANISMO


2.1 Luciferanismo

O Luciferanismo pode ser considerado uma derivação da filosofia empregada no Satanismo. Os seus seguidores não praticam o culto a Lúcifer (Lúcifer é visto como um Anjo, e não como a personificação do mal no cristianismo), mas vêem-no como uma referência para alcançar a Iluminação Espiritual. Sendo que, a origem do seu nome, significa Portador da Luz.

2.2 Satanismo Gótico

Neste caso, o termo Gótico é sinónimo de Medieval. Esta variação faz parte apenas das lendas criadas na Idade Média pela Igreja Católica para atemorizar os cristãos e servir de acusação nos processos inquisitórios. A palavra “Satanismo” por vezes é usada como um nome moderno para lendas Cristã introduzidas durante a idade média. A Igreja ensinou que algumas " Bruxas", principalmente as mulheres, adoravam Satanás. Diziam que elas faziam juramento para entregarem as suas vidas ao príncipe das trevas, que sequestravam e matavam bebés. Dedicaram as suas vidas a prejudicarem os outros pelo uso de maldições e magia negra e voavam pelo ar nos cabos de vassoura. Este tipo de " Satanismo " não existia na altura e muito menos existe hoje. Um dos casos mais conhecidos, que popularizou o satanismo, foi o caso das “Bruxas de Salém” em 1692. Porém, um " Pânico " sobre assassinatos Satânicos foi desencadeado em 1980, em grande parte por uma minoria de feministas e cristãos conservadores.
Todavia as convicções deles sobre abusos nos rituais Satânicos evaporaram, em grande parte, devido à falta completa de evidências de que estes crimes aconteceram na realidade.


2.3 Dabblers Satânicos

Está principalmente associada aos modismos adolescentes. Os seus adeptos ensaiam rituais esporádicos de magia utilizando-se do sacrifício de pequenos animais. É essencialmente uma forma de anti-cristianismo, onde os Dabblers (aficionados) adoram o demónio, conhecido no cristianismo e encobrem-se sob uma condição que julgam satânica. Igualmente chamado de Devil Worshippers (Adoradores do Demónio), também está associado a delinquentes que alegam cometer os crimes, motivados por Satã.

2.4 Satanismo Religioso

É a forma mais difundida de Satanismo. Possui dogmas e a bíblia satânica. Também abriga aspectos místicos e cerimoniais, como baptizado e casamento, que o caracterizam como uma religião. Porém, não há uma divindade a quem se presta o culto nem conceitos sobre céu e inferno, bem e mal ou deus e diabo. A Church of Satan e o Temple of Set (é uma ramificação da “Igreja de Satanás” fundada em 1975) são exemplos do satanismo religioso. Alguns destes são adultos que adoram uma divindade pré-cristã, por exemplo "Set", o deus egípcio. Outros são Ateus ou Agnósticos que não vêem Satanás como uma entidade viva; eles vêem-no como um símbolo de poder, vitalidade e prazer.

Capítulo 3

3 RITUAIS SATÂNICOS
3.1 Ritual Sexual
Tem o propósito de criar desejo da pessoa que se ambiciona, conseguir um/a parceiro/a sexual para satisfazer todos os seus desejos ou alcançar algum objectivo que se deseje intensamente.

3.2 Ritual de Compaixão
O ritual de compaixão ou sentimental é realizado com o propósito de ajudar os outros ou a si mesmo. Saúde, felicidade doméstica e nos negócios, sucesso material e escolar são algumas das situações que podem ser beneficiadas num ritual de compaixão.

3.3 Ritual de Destruição
É a cerimónia utilizada para o ódio, perturbação e desdém. É conhecido como maldição, ou agente destruidor.

BIBLIOGRAFIA

Harvey, Graham; Satanismo: realidades e acusações; Revista de Estudos da Religião; Nº3/2002/pp.1-18

LaVey, Anton Szandor; A Bíblia Satânica – livro de Lúcifer (AR), a iluminação, Lisboa, 1999

LaVey, Anton Szandor; A Bíblia Satânica, Lisboa, 1999

http://www.apsatanismo.org

http://www.cacp.org.br/satanismo.htm

http://www.spectrumgothic.com.br/ocultismo/crencas_doutrinas/satanismo.htm